Obama eleito: mudança ou mesmisse?

Janeiro 15, 2009

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
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OBAMA ELEITO: MUDANÇA OU MESMISSE?

Eleito com folga à presidência dos Estados Unidos, a celebridade Barack Obama em breve passará a dirigir um país que administra duas guerras derrotadas, ao mesmo tempo em que luta contra uma grave crise econômica sem precedentes. Apesar das exageradas comemorações nas ruas estadunidenses, que refletem um sentimento de alívio carregado de culpa, ainda é muito incerto qual será o rumo da decadente “única superpotência”. Afinal, após meses da incansável retórica de “nós podemos mudar”, o que representa Obama no comando dos Estados Unidos: mudança ou mesmisse?

O povo estadunidense votou em massa contra a combinação letal de ganância representada pelos dois termos de George W. Bush. Mais do que um aceitamento das mudanças propostas por Barack Obama, que nunca ficaram muito claras ou se provaram possíveis, a nação votou por um sentimento comum de culpa e vergonha. Muitos preferem ignorar essa realidade, mas os mesmos eleitores que essa semana elegeram Obama colocaram George W. Bush no poder – por dois termos consecutivos. Não podemos cair na mesma ilusão de que, após uma histórica eleição, todos os corações dos Estados Unidos se transformaram. Uma utopia como essa pode se tornar destrutiva, não menos do que o exagero da apelação militar dos dois últimos termos republicanos.

Alguns afirmam que os estadunidenses votaram contra a administração mais sionista de que se tem notícia, que conscientemente a nação disse “não” às guerras sionistas e aos interesses israelenses. Declarações como essas são, no mínimo, irônicas. De que se tem conhecimento, pouquíssimos estadunidenses entendem qualquer coisa sobre o envolvimento do governo do seu país com a entidade sionista. Para ser otimista, o máximo que se pode dizer é que, frustrados com o caminho que os Estados Unidos trilharam nos últimos anos, os eleitores votaram em uma opção radical e inesperada, a fim de escapar da realidade atual. Mas será que as coisas realmente mudarão? Ao que tudo indica, Barack Obama já se uniu ao clube de interesses sionistas, e passo a passo deverá conduzir os Estados Unidos no mesmo caminho dos últimos anos.

A primeira decisão de Barack Obama como presidente eleito dos Estados Unidos foi escolher como chefe de gabinete o judeu Rahm Emanuel, deputado de Illinois na Câmara dos Representantes e profundo conhecedor do mundo político de Washington e da Casa Branca, por ter sido conselheiro pessoal de Bill Clinton. Ele era encarregado de coordenar projetos especiais da Casa Branca nesse período da história em que, no Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, 7 dos 11 nomeados eram judeus. Clinton os designou para os pontos mais sensíveis das administrações de segurança e do estrangeiro. Segundo o próprio Emanuel, “o Holocausto cria um senso de destino compartilhado por todos os judeus. Os judeus devem agir para tornar Israel forte”. A escolha não parece uma mudança muito promissora. O que acontece é que, a uma distância de milhares de quilômetros de Israel, existe um florescente centro judaico que não apenas a admira e a apóia, mas que também sente um destino compartilhado. Esse é o maior perigo para a independência dos Estados Unidos.

E é por isso que até eleger-se senador, Obama foi ativo nos movimentos em favor do povo palestino. Após ocupar a importante cadeira política, passou a pender para o lado israelense, como resultado das pressões dos lobbies judaicos e, para ser mais direto, de olho na candidatura à presidência no futuro. A partir de que Obama se tornou o candidato democrata para as eleições presidenciais, a sua exageração pró-Israel manchou a imagem de “mudança” tão prometida por ele nas fases iniciais de campanha. Ao visitar Jerusalém, a cidade sagrada das três grandes religiões monoteístas, Obama garantiu que, em seu termo como presidente, “Jerusalém permanecerá intacta”. Essa posição, dividida entre todos os presidentes estadunidenses desde a unilateral independência de Israel, nega a Lei Internacional. “Qualquer acordo com o povo palestino deve preservar a identidade de Israel como Estado judeu”, declarou Obama. Assim como qualquer outro líder estadunidense, Obama promete manter a mesma política cega que desestabiliza o Oriente Médio há gerações, protegendo indiscriminadamente Israel e opondo-se a qualquer medida que possa levar a paz à região.

Desde que Barack Obama surgiu como um sério candidato à presidência dos Estados Unidos, a importância de preservar a ordem de interesse que se encontra Israel na agenda estadunidense se tornou evidente. Passo a passo, a sua postura comprometida e coerente com relação aos direitos dos palestinos desapareceu. A sua primeira decisão como presidente, um dia após a eleição, foi anunciar um líder sionista como seu chefe de gabinete. Separando otimismo de realismo, o futuro promete mudança ou mesmisse?

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com
Edição nº120 – http://orientemediovivo.com/pdfs/edicao_120.pdf


Expandindo a humilhação no Iraque

Julho 2, 2008

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
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EXPANDINDO A HUMILHAÇÃO NO IRAQUE

Quando as forças estadunidenses invadiram Bagdá há cinco anos, pareciam imbatíveis. A arrogância imperialista demonstrava que em pouco tempo o mesmo cenário se repetiria em Teerã ou Damasco. Mas as festividades ocidentais acabaram tão brevemente como começaram. Pode-se dizer que o dia em que Saddam Hussein foi oficialmente derrubado marcou o início dos verdadeiros combates no Iraque, e também o fim dos sonhos estadunidenses. Entretanto, ao que tudo indica, George W. Bush ainda planeja fazer da invasão do Iraque o seu legado.

O líder dos Cruzados, que um dia prometeu “enfrentar a tirania a qualquer preço”, mobilizou a sua administração nas últimas semanas em uma manobra propositalmente omitida pela mídia ocidental, no intuito de conseguir um acordo com o governo-fantoche iraquiano para garantir os interesses colonialistas dos Estados Unidos no Iraque. Nesse momento-chave da administração Bush, advogados e diplomatas estadunidenses lutam no parlamento do Iraque para aprovar uma lei que lhes garante o controle do petróleo iraquiano, o estabelecimento de 13 bases militares permanentes no país e imunidade a cidadãos estadunidenses das leis iraquianas – tudo por “tempo indefinido”.

A missão colonialista não será fácil. A Casa Branca insistiu na retórica derrotada de “levar democracia, liberdade e segurança” ao povo iraquiano, com o intuito de pressionar a ONU, um órgão que se provou fraco e irrelevante desde 2003, a fim de legitimar temporariamente a ocupação. Mas a conduta estadunidense no solo iraquiano contava outra história: uma Cruzada imperial, monopolizando a violência e o total desrespeito para com a Lei Internacional, ignorando a soberania do Iraque e os direitos humanos de toda uma nação. No momento em que se aproxima o fim do mandato da ONU da permanência estadunidense no Iraque (em 31 de dezembro de 2008), a administração Bush tem a árdua tarefa de convencer os iraquianos, os mesmos que viram todos e quaisquer direitos ignorados, a ceder e permitir que os Estados Unidos permaneçam no país. Após 31 de dezembro deste ano, o governo iraquiano tem a liberdade legal de convocar os estadunidenses para se retirarem do país – e levar embora com eles os sonhos coloniais.

Com esse acordo, os Estados Unidos procuram substituir o aval da ONU por um concedido pelo próprio governo do Iraque – trata-se de uma tentativa de burlar a Lei Internacional, e evitar possíveis vetos da Rússia e da China, caso alguma votação sobre o caso aconteça na Assembléia Geral da ONU. Contudo, enquanto as retóricas militares disseminam a procura pela “estabilidade” no Iraque, o maior interesse da administração Bush é que o governo iraquiano não consiga sustentar-se sozinho, sendo assim obrigado a assinar o acordo para contar com o apoio militar estadunidense. Esse é um dos motivos pelo qual o governo-fantoche de Nouri al-Maliki, instalado pelos Estados Unidos, é propositalmente frágil, cercado por inimigos que somente aguardam a retirada das tropas estadunidenses para lutar pelo poder. É um ponto a favor do plano da Casa Branca, que coloca a nação iraquiana sob seqüestro de uma força estrangeira.

Desde o final de 2007, oficiais da ONU e políticos do Iraque afirmam que não têm a intenção de ceder um novo mandato de permanência aos Estados Unidos. O acordo proposto pela administração Bush, portanto, representa a única opção que pode legalizar a ocupação. A idéia do acordo é dar a impressão de que a relação entre os Estados Unidos e o Iraque não é uma entre ocupante e ocupado, mas de dois “soberanos” com “interesses mútuos”. Pode-se argumentar que não existem possíveis cenários agradáveis para o Iraque sob a presença militar dos Estados Unidos. Os tesouros iraquianos do passado foram roubados, destruídos ou desperdiçados imediatamente após a sua “libertação”. O presente é marcado pelo derramamento de sangue e por uma triste incerteza. A administração Bush quer agora garantir que o futuro do país também seja movido pela violência, humilhação e tristezas de guerra.

FONTE:
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Edição nº109 –
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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 108

Junho 23, 2008

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 108 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

- Partido Ba’ath: “Estamos preparados para a retirada”
- Talibã alerta sobre captura de Cabul
- Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 108.), tratando do discurso de Yasser Arafat à ONU, em 1988.

As duas versões estão prontas – impressa e online.

A versão em PDF pode ser baixada diretamente nesse link:
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Entre rios de resistência

Junho 19, 2008

Por Humam al-Hamzah
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ENTRE RIOS DE RESISTÊNCIA

Desde o primeiro dia da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, atrás das “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, que nunca existiram, a heróica resistência do povo iraquiano se mostrou presente. A missão de conquistar o petróleo iraquiano e garantir seu controle por meio da produção e da exportação não vingou pois, coletivamente, os iraquianos sabiam que a invasão nada tinha de “liberdade” e “democracia”.

A resistência consiste em muito mais do que insurgência militar, que é falsamente sumarizada como “terroristas da Al-Qaeda” pela mídia ocidental. Não é exagero admitir que, em todos os níveis da sociedade, e com muito sacrifício, o povo iraquiano frustrou os planos imperialistas dos invasores. Na primeira manhã após a invasão ao país, na importante cidade de Al-Fallujah, e introduzindo um processo que rapidamente se expandiu por todo o Iraque, líderes locais formaram um novo governo baseado em estruturas tribais. Ao invés de esperarem pela “liberdade” e “democracia” que “estavam a caminho”, esses subgovernos evitaram revoltas civis ao formar suas próprias milícias para policiar suas comunidades. Ninguém contava com apoio dos estadunidenses. São essas dezenas de grupos locais, formados após a invasão ao país, que hoje são classificados pelos militares estadunidenses e pela mídia ocidental como “Al-Qaeda”, em uma completa e proposital ignorância da realidade da guerra.

Em outra arena, a do petróleo, o histórico fator predominante no envolvimento dos Estados Unidos no Iraque, a situação não foi diferente. A missão imediata com a invasão em 2003 era a captura de terminais e campos petrolíferos, dobrar em pouco tempo os níveis de produção do pré-guerra e transferir o controle da produção e exportação para empresas estrangeiras. Nesse campo, as milícias e os civis iraquianos agiram em completa harmonia contra os interesses dos invasores. Dos mais conceituados engenheiros aos mais simples trabalhadores das refinarias iraquianas, a produção de petróleo foi completamente nulificada após a invasão. Engenheiros boicotaram o trabalho, trabalhadores sabotaram as refinarias e as milícias incendiaram campos de petróleo e oleodutos. Com isso, planos imperialistas como a imediata da transferência do porto de petróleo de Al-Basra para a estadunidense KBR, subsidiária da aliada da família Bush, a Halliburton, foram abortados.

A guerra pelo petróleo continua, mas mesmo 5 anos após a invasão, o povo iraquiano resiste. Neste início de junho, em uma total omissão da mídia ocidental, líderes sunitas e xiitas rejeitaram um novo “acordo de segurança” proposto pelos Estados Unidos ao governo-fantoche iraquiano, que garantiria o controle do petróleo, o estabelecimento de 13 bases permanentes nos quatro cantos do país e imunidade a cidadãos estadunidenses das leis iraquianas. O mandato da ONU de permanência estadunidense no Iraque termina em 31 de dezembro de 2008, e esse acordo poderia dar margens à expansão da permanência militar no país. Em mais um ato de resistência, figuras importantes do governo recusaram o pacto, e forçaram os Estados Unidos a iniciar uma procura por novas vias de burlar as leis da ONU.

Uma recente pesquisa conduzida pela World Public Opinion avalia que 78% dos iraquianos são contra a presença das forças estrangeiras no país, e “acreditam que a presença dos mesmos contribui com a violência, ao provocar mais conflito do que prevenir”. Mais do que isso, 53% dos iraquianos acreditam que “a segurança irá melhorar em poucas semanas após a retirada”. Os iraquianos pagaram um preço terrível pela resistência. A invasão e as mudanças sociais e econômicas que lhe acompanharam destruíram o Iraque, deixando a sociedade arruinada. Conscientemente, eles se sacrificaram para conter o avanço dos Estados Unidos pelo Oriente Médio, rico em petróleo e no coração das terras árabes. A resistência vive!

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Edição nº107 –
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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 107

Junho 17, 2008

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 107 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

- Mais um golpe de mídia contra o Irã?
- Entre rios de resistência
- Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 107), tratando do envolvimento dos Estados Unidos na Guerra Irã-Iraque, em 1988.

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Novas armas proibidas – mas não para todos

Junho 13, 2008

Por Humam al-Hamzah
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NOVAS ARMAS PROIBIDAS – MAS NÃO PARA TODOS

Representantes de 109 países reuniram-se em Dublin, na Irlanda, e aprovaram por unanimidade um tratado que proíbe o uso de bombas de fragmentação segundo a Lei Internacional. A partir de meados de 2009, a nova lei será aplicada, mas alguns dos países que mais produzem e possuem bombas de fragmentação, como os Estados Unidos e Israel, se opuseram ao acordo, não enviaram representantes a Dublin e não comentaram sobre o resultado.

Jakob Wellenberger, presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, afirmou que o acordo “irá prevenir muito sofrimento humano ao tornar as bombas de fragmentação ilegais”. Dezenas de grupos de direitos humanos faziam campanha há tempos para que se chegasse à proibição dessas bombas. Finalmente, vetou-se o uso de uma das armas mais mortíferas e incontroláveis dos arsenais atuais. Mas os Estados Unidos, principal produtor dessas bombas, e Israel, principal consumidor, lideraram uma campanha contra o acordo, boicotando as negociações e rejeitando o resultado final. Os aliados incondicionais tentaram convencer o Reino Unido a tomar a mesma medida, e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, até parecia que iria ceder às pressões. Mas no momento crucial das negociações, o Reino Unido anunciou que iria eliminar todo seu arsenal de bombas de fragmentação: “Foi um grande passo para fazer do mundo um lugar mais seguro”, disse Gordon Brown sobre o acordo final.

As bombas de fragmentação são bastante criticadas pelo potencial de vitimar inocentes, uma vez que não se tem controle sobre onde explodirão. Depois de lançadas, elas se abrem e distribuem dezenas de minibombas por uma vasta área, comparada a um estádio de futebol. Muitas dessas bombas não explodem de imediato (cerca de 25%), e permanecem sob risco por décadas. Um exemplo recente do poder de destruição dessas bombas aconteceu com a invasão israelense do Líbano em 2006. Mais de 1400 civis foram mortos no mês que a invasão durou, e desde então ao menos 100 morreram e 218 foram feridos por bombas que não haviam explodido. De acordo com a ONU, Israel lançou 4,3 milhões de sub-munições de bombas de fragmentação no Líbano, das quais mais de 1 milhão não explodiu. Os Estados Unidos, que fornecem essas bombas a Israel por mais de três décadas, fabricaram todas as bombas utilizadas por Israel.

Além de terem se comprometido a não usar esse tipo de armamento, os países presentes à reunião em Dublin concordaram em destruir os arsenais dessas bombas nos próximos 8 anos. Mas ao que tudo indica, Estados Unidos e Israel ainda vão lutar contra a aplicação do acordo. “Eles concordam com o banimento das bombas, mas querem o período de 10 a 15 anos para assinarem o tratado. Durante esse tempo, [querem continuar] usando, estocando e até produzindo [essas bombas]”, disse Daniel Mack, em nome de uma rede de mais de 250 ONGs chamada Coalizão Contra as Bombas de Fragmentação, presente em Dublin.

De fato, os Estados Unidos ainda usam diariamente essas bombas nas ocupações do Afeganistão e do Iraque, e vendem milhões de dólares mensais dessas bombas para Israel. É difícil prever qual será a conduta dos “aliados incondicionais” quanto a essa questão, mas de qualquer maneira, até meados de 2009, as bombas de fragmentação continuarão a destruir cidades no Afeganistão, Iraque e nos vizinhos de Israel.

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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 106

Junho 9, 2008

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As manchetes dessa nova edição são:

- Terrorismo em nome da “segurança nacional”
- Nova arma proibida – mas não para todos
- Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 106), tratando da misteriosa morte de Zia-ul-Haq, presidente do Paquistão, em 1988.

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A coexistência ainda é possível

Junho 6, 2008

Por Humam al-Hamzah
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A COEXISTÊNCIA AINDA É POSSÍVEL

Nos 60 anos, todos aqueles que tentaram alcançar uma solução legítima e pacífica para a questão da ocupação de Israel das terras palestinas enfrentaram o mesmo obstáculo – o senso arrogante de invencibilidade militar por parte de Israel, unido à cumplicidade criminosa dos Estados Unidos. Mas a história é testemunha de que as armas nucleares ilegais do “lar nacional judaico”, aliadas aos bilhões de dólares estadunidenses investidos em sua capacidade militar, não serão suficientes para garantir a “segurança” das terras ocupadas.

Apesar da série de derrotas militares contra o Hizbollah, no Líbano, e a provada ineficiência em controlar os ataques de foguetes palestinos, Israel ainda não acordou para o fato de que a sua “invencibilidade” é um mito. Enquanto o “lar nacional judaico” ainda pode celebrar a sua ambígua versão da história, o país não consegue eliminar o povo palestino – um povo simples, armado devido à esperança de sobreviver e recuperar o que, por direito, lhes pertence. O mesmo desafio enfrentaram os Estados Unidos no Vietnã, e a França na Argélia, para citarmos alguns. O povo palestino não vai desaparecer simplesmente, abrindo caminho para a expansão da colonização ilegal israelense. As tentativas de dividir os palestinos, instigar a violência civil e colocar no poder falsos “representantes” da Palestina falharam no passado – não é diferente hoje, e não será no futuro.

Ao lidar com o conflito como se fosse gerado pela “ganância árabe” e pelo “terrorismo palestino”, Israel ganhou simpatia no Ocidente, ofuscando assim aquilo que deveria ser um autêntico exemplo de injustiça, subordinada ao colonialismo e à limpeza étnica da Palestina. Ao descrever os palestinos como uma “ameaça”, um “problema” ou uma “bomba demográfica”, como é comum nos termos sionistas, observamos nada menos que racismo ignorante. Pelos seus 60 anos de existência, Israel tratou os palestinos – os verdadeiros habitantes nativos da histórica Palestina – como indesejados e desprezíveis residentes de uma terra que teria, supostamente, sido “prometida somente aos judeus” milhares de anos atrás. Esse conceito arcaico que define a política de Israel, que também é sustentado pelos Estados Unidos, permite que ainda hoje alguns grupos religiosos discriminem e reprimam brutalmente os palestinos, seja dentro dos muros de Israel ou nos Territórios Ocupados.

Se Israel está mesmo interessado em uma resolução pacífica para esse violento conflito (algo que é colocado em xeque diariamente por sua conduta criminosa), uma solução baseada em direitos humanos e legais, justiça, segurança e paz duradoura, deverá aprender em breve um novo conceito: o de coexistência. Árabes e judeus conviveram em paz por milhares de anos antes da invenção do Sionismo, algo que certamente também é possível no futuro se esse quesito problemático for esquecido. Qualquer outra solução seria simplesmente institucionalizar o racismo e o apartheid, minar a democracia e os direitos humanos e, portanto, perpetuar a violência.

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O colapso de um “dependente” de petróleo

Junho 4, 2008

Por Humam al-Hamzah
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O COLAPSO DE UM “DEPENDENTE” DE PETRÓLEO

As invasões ao Afeganistão e ao Iraque não marcaram somente humilhantes derrotas morais, políticas e militares para os Estados Unidos, mas também a queda do chamado “único superpoder”. Assim como o fim da União Soviética (1991) foi simbolizada pela derrubada do Muro de Berlim (1989), a “Nova Cruzada” de George W. Bush reflete a nova fase do declínio do imperialismo estadunidense. Ironicamente, apesar de ter invadido o Iraque para tomar posse dos recursos minerais, os Estados Unidos foram derrotados pela sua dependência incontrolável por petróleo.

Atualmente, um soldado médio estadunidense no Iraque gasta cerca de 80 litros de combustível diariamente. Esse é um número importante a ser considerado, uma vez que ele representa mais do que o dobro do volume diário consumido pelos mesmos soldados em 2004. Esse dado reflete o quão despreparados estavam os estadunidenses quando decidiram invadir o Iraque em 2003 – cinco anos depois, os gastos dobraram, e nenhum sucesso está previsto. Segundo o Centro de Suporte Energético da Defesa do Pentágono, são gastos mais de 11,5 milhões de litros de petróleo por dia somente no Iraque. É esse um dos problemas que assola os Estados Unidos.

Historicamente, controlar o petróleo do Iraque foi o fator predominante no envolvimento dos Estados Unidos naquele país. Na “guerra contra o terrorismo”, não é surpresa que o petróleo seja o principal foco estratégico para a Casa Branca. O primeiro objetivo das forças invasoras em 2003 era a captura de terminais e campos petrolíferos do país. Em 20 de março de 2003, os estadunidenses travaram o primeiro combate da guerra, quando lançaram uma invasão-surpresa aos terminais cargueiros de petróleo de Mina al-Bakr e Khor al-Amaya, no Golfo Pérsico. Poucas horas depois, o tenente Therral Childers tornou-se o primeiro militar estadunidense a morrer em combate na invasão, ao combater no campo petrolífero de Rumaylah, sul do Iraque. A história não foi diferente quando as forças de invasão chegaram a Bagdá em 8 de abril. Embora a Biblioteca Nacional do Iraque, os Arquivos Nacionais e o Museu Nacional de Arqueologia fossem saqueados e queimados, o edifício do Ministério do Petróleo permaneceu intacto. Isso aconteceu devido a uma operação especial com soldados e meia dúzia de veículos de assalto, designados para a guarda do ministério e de seus registros.

Contudo, os militares e o novo governo-fantoche de Bagdá, colocado no poder pelos estadunidenses, não conseguiram assegurar-se do estilhaçado setor petrolífero iraquiano. De acordo com A.F. Alhajii, economista e professor estadunidense da Universidade de Ohio, “seja quem for que controle o petróleo do Iraque, ele controla o Iraque”. Entretanto, desde a invasão em 2003, não existe tal pessoa. Os invasores nem sequer têm poder para controlar territórios no Iraque. Eles são apenas uma das muitas milícias que competem pelo poder num Estado sem leis. Fato que reflete isso é que o próprio consumo de petróleo dos estadunidenses no Iraque é importado do Kuwait. Só em 2006, o Centro de Suporte Energético da Defesa do Pentágono comprou cerca de 910 milhões de dólares em combustíveis para motores da empresa estatal Kuwait Petroleum Corporation. Portanto, a ocupação nada tem de dominação.

Somente em 2007, os militares queimaram mais de 4,2 mil milhões de litros de combustível no Iraque. Mais de 5 mil caminhões-cisterna estão envolvidos no transporte combustível – um investimento caríssimo. Em novembro de 2006, um estudo da Academia Militar dos Estados Unidos estimava que entregar um galão (3,78 litros) de combustível no Iraque custa 42 dólares aos contribuintes estadunidenses, sem incluir o custo do próprio combustível. Para aquela taxa, cada soldado custa 840 dólares por dia. Para manter os 160 mil militares no Iraque, os Estados Unidos gastam 923 milhões de dólares por semana, ou seja, um terço de todas as despesas com o andamento da guerra. Essa ascensão dos gastos com combustível é conseqüência direta da campanha da Resistência Iraquiana. As forças estadunidenses foram forçadas a defender-se dos famosos IED (dispositivos explosivos improvisados), artefatos caseiros responsáveis por mais de 50% das baixas da ocupação no Iraque. Os militares investiram milhões de dólares em contramedidas de alta tecnologia para combater a Resistência, mas fracassaram.

A administração Bush decidiu adotar uma estratégia que não tem precedentes na história estadunidense – perseverar numa guerra que já foi perdida nos quesitos moral, estratégico e militar. E o prosseguimento desse combate tem seus custos. Os Estados Unidos estão hoje muito mais fracos, em todos os setores, do que quando Bush tomou posse de seu primeiro mandato, em 2000. O poder dessa nação consumida pelo vício em petróleo continuará a deteriorar-se. Haverá a retirada do Iraque, mas não em um momento escolhido. Ao invés disso, o conflito finalizará quando não houver mais capacidade econômica para travar a guerra, e esse momento não está muito longe. Dessa forma, pode-se afirmar que a guerra no Iraque assinala o fim do intervencionismo de grande escala dos Estados Unidos da América.

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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 105

Junho 2, 2008

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- O colapso de um “dependente” de petróleo
- A coexistência ainda é possível
- Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 105), tratando do atento terrorista estadunidense contra o vôo Iran Air 655, em 1988.

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