Comunicado Oficial

Dezembro 23, 2007
Olá a todos.

Comunicado oficial do jornal Oriente Médio Vivo:

Comunico aos nossos leitores que o jornal Oriente Médio Vivo, após 48 semanas de trabalho ininterrupto, passará por um período de organização, atualização e expansão durante o mês de janeiro. Em função disso, as publicações semanais serão retomadas na primeira semana de fevereiro (segunda-feira, dia 04/02/2008).

Agradecemos o apoio de todos, e se durante este ano o Oriente Médio Vivo cresceu como observamos, é devido à força que nos deram para seguirmos em frente com o nosso projeto.

Esperamos que as novidades que anunciaremos em fevereiro agradem a todos.

Muito obrigado pela atenção e compreensão.

Cordialmente,
Humam al-Hamzah
Oriente Médio Vivo
www.orientemediovivo.com.br


Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 87

Dezembro 18, 2007

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 87 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

– O sucesso da Blackwater
– O caso do “dinheiro judeu”
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 87), tratando do nascimento do Hizbollah, em 1985.

As duas versões estão prontas – impressa e online.

A versão em PDF pode ser baixada diretamente nesse link:
http://www.orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_87.pdf

Você pode também receber o jornal impresso gratuitamente em casa, contatando o seguinte e-mail:
contato@orientemediovivo.com.br

Agradeço a atenção de vocês.

Lembrem-se de visitar o nosso novo website oficial (www.orientemediovivo.com.br), com mais informações sobre o nosso trabalho e todas as edições passadas para serem baixadas de modo fácil e rápido, e nosso novo Fórum de Discussões (www.orientemediovivo.com.br/forum), um novo ambiente.

Humam al-Hamzah
Fundador e Editor
Oriente Médio Vivo
http://www.orientemediovivo.com.br


Irã falava a verdade desde o início

Dezembro 13, 2007

Por Humam al-Hamzah
Oriente Médio Vivo
http://www.orientemediovivo.com.br

IRÃ FALAVA A VERDADE DESDE O INÍCIO

Na última segunda-feira (3), o novo relatório de inteligência dos Estados Unidos concluiu que o Irã desativou o seu programa de armamentos nucleares há mais de 4 anos. Mais uma vez o governo estadunidense tem sua credibilidade colocada em xeque – ao que tudo indica, o mito das “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein (que nunca existiram) voltou para assombrar a administração Bush também no caso do Irã.

O relatório da Estimativa de Inteligência Nacional (EIN) sobre o Irã, que expressa consenso entre todas as 16 agências de inteligência estadunidenses, indica com “muita confiança” que o Irã paralisou seu programa para desenvolver armamentos atômicos em 2003 “em resposta à pressão internacional”. O resultado contradiz as ameaças da Casa Branca de que a República Islâmica estaria atrás de “desenvolver armas nucleares” – o motivo pelo qual duas sanções econômicas foram impostas contra o país recentemente. Ao mesmo tempo, o relatório comprova o que o Irã afirma há anos: que seu programa nuclear é pacífico, voltado apenas para a geração de eletricidade com fins civis.

As “descobertas” da EIN não representam uma novidade para aqueles que seguiam o caso do Irã de perto. O reeleito presidente russo, Vladimir Putin, havia anunciado anteriormente, baseado em suas agências de inteligência, que “não existem evidências” de que o Irã estaria atrás de construir uma bomba. Mohamed El-Baradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), encarregada de inspecionar as instalações iranianas, também respondeu positivamente, afirmando que o relatório sustenta sua posição de que “não há evidências de um programa de armas nucleares não declarado em lugar algum” no Irã.

A novidade significa que o Irã venceu? De acordo com oficiais do Pentágono, o relatório “fortaleceu o Irã e enfraqueceu os demais”. De fato, o Irã comemorou a mais recente derrota da administração Bush. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, declarou que “está se tornando claro para o mundo que o programa nuclear do Irã é mesmo pacífico”. A televisão estatal iraniana qualificou o relatório como “a confissão nuclear” dos Estados Unidos, e afirmou que o mesmo representa “uma vitória” para a República Islâmica. Apesar disso, a máquina de propaganda militar de George W. Bush não descansou.

Assim como no Iraque, em que a cada vez que uma mito era desmascarado outro novo era criado (das “armas de destruição em massa” à “presença da Al-Qaeda no Iraque”), o governo estadunidense já iniciou a sua nova campanha de acusações contra o Irã. Em uma entrevista coletiva em Washington, Bush disse que o relatório, na verdade, “dá motivo para mais pressão” (sic) contra o governo do líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Após comprovado que a afirmativa do governo iraniano era mesmo verdade, as novas acusações estadunidenses são voltadas para a “intenção” de desenvolver armas nucleares, e não mais a capacidade – um argumento difícil de ser avaliado. Segundo Bush, o Irã pode retomar um programa atômico militar secreto. “O Irã foi perigoso. O Irã é perigoso. E o Irã será perigoso, se tiver o conhecimento necessário para fazer uma arma nuclear”, afirmou ele.

O desenvolvimento de tecnologias nucleares é legal perante a Lei Internacional para os países que assinarem o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Considerando isso, o Irã tem o direito de enriquecer urânio, já que a República Islâmica assinou o tratado ainda em 1968. Apesar disso, os Estados Unidos parecem decididos a atrasar o desenvolvimento do país, que tem um papel fundamental na divisão de poderes do Oriente Médio. Um recente relatório da AIEA, que antecedeu o relatório estadunidense, confirmou inequivocamente que “o programa nuclear do Irã é de natureza civil”, e que “o Irã não tem intenção e nem condição de fabricar armas nucleares”. O governo estadunidense, porém, não se mostrou interessado em fatos. “Acho que o relatório divulgado ontem é um sinal de advertência, porque poderiam [o Irã] reiniciá-lo [o programa nuclear]. Tiveram o programa e o paralisaram”, afirmou Bush, acrescentando que “todas as opções” continuam sobre a mesa em relação às medidas a serem tomadas contra Teerã. Pelo menos por enquanto, a verdade venceu.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com.br
Edição nº86 – http://orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_86.pdf
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Humam al-Hamzah
Oriente Médio Vivo
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Os Estados Unidos de Israel

Dezembro 13, 2007

Por Humam al-Hamzah
Oriente Médio Vivo
http://www.orientemediovivo.com.br

OS ESTADOS UNIDOS DE ISRAEL

“Nenhum presidente estadunidense pode se voltar contra Israel”. Essas palavras vieram do almirante Thomas Moorer, que nos anos 1970 foi Chefe de Operações Navais e Chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos. Moorrer certamente sabia sobre o que estava falando.

Em 8 de junho de 1967, Moorer presenciou o ataque israelense ao navio de espionagem eletrônica estadunidense USS Liberty, que deixou 34 soldados estadunidenses mortos e 173 feridos (leia mais em Oriente Médio Vivo, Edição 69). Segundo alguns sobreviventes que se pronunciaram sobre o caso, as forças israelenses até atacaram os botes salva-vidas quando as tropas estadunidenses abandonaram o navio atacado. Aparentemente, o USS Liberty havia capturado informações via rádio que revelavam a responsabilidade de Israel pela Guerra dos Seis Dias. Os Estados Unidos sabiam de toda a verdade, mas o então presidente Lyndon Johnson decidiu mesmo assim apoiar Israel, se voltando contra os militares estadunidenses e ordenando que encerrassem o caso. Como conseqüência, até hoje, no mundo ocidental, a culpa pelo conflito é colocada sobre os árabes.

Muitos não têm conhecimento sobre o poder do lobby sionista na política estadunidense e, conseqüentemente, não compreendem a lógica de muitas ações “sem explicação” conduzidas pelos Estados Unidos. Ao invés disso, consideram apenas a tendência imperialista dos mesmos como justificativa por tais ações, relacionando-os a um novo Império Romano, como se suas ordens fossem atendidas sem questionamento. Pior do que isso, somente o posicionamento do próprio povo estadunidense, que de forma ignorante escolheu esse caminho, acreditando que tal imperialismo serviria aos interesses da nação. Como conseqüência, milhares de inocentes são mortos, a maioria mulheres e crianças, que do outro lado do mundo não têm absolutamente nenhuma culpa pela ignorância estadunidense.

Entretanto, como é possível que apenas 6 milhões de pessoas, que constituem a população judaica dos Estados Unidos, possam ter alcançado uma influência tão descomunal dentro do “único superpoder”? A resposta é encontrada em alguns fatores: primeiro, a comunidade judaica constitui o segmento grupal mais bem-sucedido dos Estados Unidos, com dezenas de prêmios Nobel, e apresenta o mais alto nível de ingressos financeiros (pagamento de impostos) da sociedade estadunidense. Não existe uma só área de atividade em que seus membros não se sobressaiam ou ocupem posições de liderança; segundo, compõe uma comunidade extremamente próspera, que conta com aproximadamente 80 comitês de ação política, ou seja, organizações encarregadas de financiar campanhas eleitorais; terceiro, trata-se de uma comunidade coesa, e que atua harmonicamente em bloco em função de um único objetivo: os interesses de Israel.

De acordo com o diário estadunidense Star-Tribune, o maior do estado de Minnesota, membros do Partido Democrata do Congresso passaram “uma semana em Israel, em uma viagem privada bancada pela Federação de Educação Estados Unidos-Israel”. Segundo o artigo, outros 40 membros do Congresso fizeram a mesma visita em agosto e, “até o final do ano, todos os membros do Congresso terão feito suas visitas a Israel”. Isso certamente explica parte da cumplicidade dos democratas quanto à política dos republicanos, que eles tanto “rejeitam”. O lobby sionista faz parte dos Estados Unidos, seja o governo republicano ou democrata.

Uma possível solução para o problema, e talvez a única que possa ser considerada hoje, é que líderes políticos estadunidenses e israelenses se pronunciem contra o lobby sionista, já que a atual política estadunidense não serve aos próprios interesses de Israel. Claramente, não existe vantagem para o “lar nacional judaico” em estar abandonado no Oriente Médio, cercado de inimigos e, para os Estados Unidos, construir tamanha inimizade com o mundo muçulmano vai diretamente contra os planos declarados da suposta “guerra contra o terrorismo”, que o mundo todo parece fazer parte hoje. Até o momento, porém, qualquer posicionamento contra o lobby sionista foi simplesmente classificado como “anti-semita” ou “anti-estadunidense” – uma acusação grave, porém fácil de ser aplicada nesse contexto.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com.br
Edição nº73 – http://orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_73.pdf
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Humam al-Hamzah
Oriente Médio Vivo
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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 86

Dezembro 11, 2007

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 86 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

– Irã falava a verdade desde o início
– Palestina: triste realidade
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 86), tratando dos crimes israelenses contra o povo palestino, em 1984.

As duas versões estão prontas – impressa e online.

A versão em PDF pode ser baixada diretamente nesse link:
http://www.orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_86.pdf

Você pode também receber o jornal impresso gratuitamente em casa, contatando o seguinte e-mail:
contato@orientemediovivo.com.br

Agradeço a atenção de vocês.

Lembrem-se de visitar o nosso novo website oficial (www.orientemediovivo.com.br), com mais informações sobre o nosso trabalho e todas as edições passadas para serem baixadas de modo fácil e rápido, e nosso novo Fórum de Discussões (www.orientemediovivo.com.br/forum), um novo ambiente.

Humam al-Hamzah
Fundador e Editor
Oriente Médio Vivo
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Humam al-Hamzah
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Por que Annapolis é um teatro?

Dezembro 6, 2007

Por Humam al-Hamzah
Oriente Médio Vivo
http://www.orientemediovivo.com.br

POR QUE ANNAPOLIS É UM TEATRO?

A mídia ocidental agiu em massa ao comemorar os resultados da recente “Conferência de Paz de Annapolis”, nos Estados Unidos. A iniciativa do presidente estadunidense, que trouxe 49 nações ao país, incluindo a Arábia Saudita e a Síria, além de organizações internacionais, foi relatada como “um primeiro passo de sucesso”. Entretanto, nada foi comentado sobre como o povo palestino e israelense viram a conferência, apesar de serem eles quem realmente decidirão o futuro da Questão Palestina.

Provavelmente, a mídia ocidental ignorou as principais peças do jogo pelo fato de a Conferência de Annapolis ter sido recebida, por ambos os lados, com incerteza e descrença. De fato, os políticos envolvidos, Ehud Olmert (77% da população está insatisfeita com sua condução dos assuntos do país), Mahmoud Abbas (que teve seu partido unanimemente derrotado pelo Hamas nas últimas eleições palestinas) e George W. Bush (que tem uma lista incalculável de mentiras, crimes e fracassos diplomáticos), perderam força dentro de suas nações, e estão sem credibilidade. De qualquer maneira, por eles foi prometido que, até o fim de 2008, “a paz será alcançada” na Palestina.

Todo o espetáculo foi muito bem feito, mas não se mostrou realista. Abbas nem sequer tem o controle da Palestina no momento, isolado na Cisjordânia e ausente na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas. Olmert, que carrega o peso de sérias acusações de corrupção e da humilhante derrota para o Hizbollah no ano passado, depende de uma coalizão de políticos israelenses que já ameaçaram, mesmo sem o início de algo, que abandonarão o plano caso ele faça concessões de assuntos como o status da cidade de Jerusalém ou o direito de retorno dos palestinos. Além das questões internas da Palestina, a recusa do governante saudita Saud al-Faisal, ministro do Exterior, em cumprimentar Olmert foi uma manifestação clara do longo caminho a ser percorrido.

O jornal israelense Maariv classificou Annapolis como “fazendo paz para as câmeras”. “Cerimônias de paz são feitas quando a paz é alcançada”, criticou o diário. Uma pesquisa de outro jornal israelense, o Haaretz, mostrou que a maioria dos israelenses considera a conferência, de antemão, “um fracasso”. A posição do povo israelense é clara, já que Annapolis pode destruir o sonho de colonos sionistas caso Olmert realmente pare de expandir os assentamentos ilegais sobre as terras privadas palestinas – uma decisão vital para se alcançar a paz. Na Palestina, uma pesquisa na Cisjordânia (controlada pelo próprio Abbas) mostrou que 62% dos palestinos acreditam que “nada mudará” após Annapolis. Em Gaza, protestos anti-Abbas foram marcados pela revolta contra o esquecimento da região na conferência. “As pessoas que se encontraram em Annapolis não representam o povo palestino, mas sim eles mesmos”, afirmou um dos líderes do protesto.

A “Conferência de Paz de Annapolis” começou mal. Assim como nas demais iniciativas no passado, fatores indispensáveis foram deixados de lado pelos mentores do plano. Se os líderes da Palestina e de Israel (Abbas e Olmert) não têm credibilidade dentro de seus países, e Bush, intermediário da questão, é malquisto por toda a comunidade internacional, como o plano poderia ter sucesso? De fato, tudo não passou de um teatro, em que os atores no palco foram aplaudidos, mas aqueles nos bastidores foram ignorados.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com.br
Edição nº85 – http://orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_85.pdf


As leis são para todos?

Dezembro 5, 2007

As leis são para todos?

Enquanto George W. Bush ironicamente discursava sobre o “progresso” das forças estadunidenses no Iraque, ao visitar o país, na semana passada, de maneira secreta por “questões de segurança”, as tropas britânicas se retiravam de Al-Basra, o que para muitos especialistas significou a derrota da coalizão na principal província do Iraque. No período atual da guerra, em que as forças de ocupação iniciam os preparativos para a retirada do país, nos perguntamos se as nações ricas, como os Estados Unidos e o Reino Unido, irão um dia ser responsabilizadas pelo doloroso crime contra a nação iraquiana.

Após mais de 4 anos de ocupação, o Iraque hoje representa o mais dramático e destrutivo exemplo do que acontece quando os poderes ocidentais enviam suas máquinas de destruição pelo mundo baseando somente em seu senso de imperialismo. Depois de desmascarado o mito sobre as “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein – o motivo pelo qual o Iraque foi invadido – o governo estadunidense passou a justificar a ocupação do Iraque pela presença da Al-Qaeda no país. O recente discurso de Bush focou exatamente nesse ponto: “Vocês estão impedindo que a Al-Qaeda use o Iraque como um lugar para planejar ataques contra os Estados Unidos”, disse ele aos soldados estadunidenses. Ironicamente, porém, foi também comprovado por diversos órgãos ocidentais (muitos deles estadunidenses) que a Al-Qaeda só chegou ao Iraque após a invasão do país. O Reino Unido, sob o comando de Tony Blair, foi a ferramenta utilizada para criar a ilusão de que o “perigo” que representava o Iraque era algo de nível mundial, e que, portanto, uma coalizão internacional era necessária para solucionar a questão. Dessa forma, os principais aliados da Guerra do Iraque fabricaram a frágil coalizão que hoje procura a porta de saída do Iraque em chamas. No entanto, serão eles responsabilizados pelos crimes cometidos?

A aliança imperialista anglo-estadunidense causou uma crise humanitária no Iraque. De acordo com a ONU, cerca de 4,2 milhões de iraquianos foram desabrigados até então, a maioria fugindo para a Síria e a Jordânia. O jornal médico britânico The Lancet realizou um estudo que alerta que “os números de 655 mil civis iraquianos mortos pela ocupação desde 2003 é subestimado”. Além disso, os líderes ocidentais somaram insultos aos danos causados, subestimando e inteligência da população mundial (com sucesso em alguns casos) ao inventar novos motivos para continuar a guerra a cada vez que outro é desmascarado. Infelizmente, para o terror dos civis iraquianos, muitos líderes ocidentais compraram a teoria de que a ocupação do Iraque era justificável pela presença da Al-Qaeda no país. Enfim, quando os superpoderes agem com impunidade – ao invadir, destruir e abandonar outras nações – a mensagem que recebemos é que fazemos parte de um jogo sem regras. Qual a conseqüência de tal realidade? Quando todos os criminosos saem impunes, ninguém tem um incentivo para agir racionalmente, nem sequer pacificamente.

Os eleitores estadunidenses não puniram Bush por causa de seus crimes de guerra e contra a humanidade no Iraque, Palestina e Afeganistão – eles simplesmente o repreenderam por ter falhado em realizar o sonho imperial de forma breve e barata. Não houve reclamações quando Bush destruiu um país inteiro. Pelo contrário, ele foi aclamado por homens e mulheres, que o enalteceram na Câmara dos Deputados. Ninguém falou sobre levá-lo a um tribunal para responder a acusações por esses crimes – tal idéia nem sequer existiu. Os estadunidenses expressaram apenas a sua frustração por não detonar iraquianos como seus ancestrais fizeram tão facilmente com a população nativa da América do Norte. Como resultado, ante a um tribunal de crimes de guerra, Bush sempre poderia afirmar, de maneira correta, que a maioria dos Estados Unidos estava com ele desde o início da guerra.

Todos que se calam perante tal injustiça têm a sua parcela de culpa no que acontece e no que virá. Assim que os bombardeios a Bagdá foram iniciados, a consciência moral do Ocidente evaporou-se – todos se calaram e simplesmente esperaram pelo que viria a seguir. Se a coalizão criminosa liderada pelos Estados Unidos conseguir entrar, destruir e abandonar o Iraque – como está sendo feito, em um completo vácuo moral movido pelos “valores ocidentais” de “progresso” – o mundo certamente sofrerá as violentas conseqüências que se seguirão, e será tarde demais para manifestações de paz e críticas de direitos humanos. Se a impunidade persistir, a popular sentença de que “violência gera violência” jamais será tão verdadeira. Se nos calarmos, o sangue dos mártires terá sido derramado em vão.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com.br
Edição nº73 – http://orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_73.pdf