O governo-fantoche de Bagdá

Julho 31, 2008

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
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O GOVERNO-FANTOCHE DE BAGDÁ

A mídia ocidental tem noticiado rumores sobre a recente “posição firme” e “força” do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, insinuando que ele tenha alcançado um grau de confiança para desafiar a ocupação estadunidense do país. A história surgiu como conseqüência do impasse causado pelo “plano de segurança” de longo termo proposto pelos Estados Unidos, que supostamente foi recusado por Maliki, e a posição favorável a um plano detalhado de retirada. Mas tudo não passa de ingênua especulação.

Nada disso é verdade. Desde seu primeiro dia como primeiro-ministro, em 2006, Maliki se provou um fantoche dos Estados Unidos, fraco e submisso. A base política do governo apresenta-se cada dia mais inerte, e o Partido Dawa representa uma força política inexistente no Iraque atual. O poder de Maliki depende de uma frágil coalizão de outros partidos pró-invasão, o principal deles sendo o Conselho Islâmico Supremo do Iraque, uma milícia xiita associada à Guarda Revolucionária do Irã. Essa situação complicou o caráter do primeiro-ministro iraquiano, uma vez que ele tornou-se também um fantoche dos interesses iranianos. Já os sunitas iraquianos permanecem ignorados e desfavoráveis aos interesses do governo-fantoche. Nas eleições internas de 2005 e 2006, que formou o governo atual, somente 2% dos sunitas iraquianos participaram, em um completo boicote ao corrupto sistema político. Essa é a “democracia” liderada por Nouri al-Maliki, instalada pela ocupação.

Maliki procura balancear o apoio que recebe dos Estados Unidos, que arma e treina o exército e a polícia do governo-fantoche, e o Irã, que tem vasta influência política e militar no Iraque pós-invasão. Ciente dessa necessidade de Maliki, Bush dobrou o apoio financeiro ao treinamento de forças militares iraquianas em 2007 e 2008, a fim de sujeitar o Iraque aos interesses estadunidenses. Mas ao mesmo tempo o Irã tem pressionado Maliki para ver as forças estrangeiras fora do Iraque, uma cobrança sofrida pelo governo-fantoche vinda de diversos partidos nacionalistas iraquianos, sunitas e xiitas. Em resumo, Maliki se mantém hoje no governo graças ao balanço interno de forças entre os Estados Unidos e o Irã. O dia em que um lado ou outro ceder, cairá o governo iraquiano.

A divulgação sobre a “posição firme” e “força” de Maliki começaram há dois meses, com o ataque encomendado pelos Estados Unidos contra as forças do Jaish al-Mahdi, leais ao clérigo xiita Muqtada as-Sadr, em Al-Basra. Mas, de fato, a falaciosa operação diminuiu o seu apoio. Ele encontra-se hoje sob forte pressão iraniana e sob a ameaça de golpe de Estado por militares do próprio governo. “O parlamento é a instituição menos respeitada na sociedade”, disse Stephen Biddle, conselheiro do general Petraeus, líder da ocupação no país e herói da mídia ocidental. “Se nós deixarmos o país, com certeza veremos os militares tomando o poder”, concluiu.

Não é possível encontrar essa “força” de Nouri al-Maliki, por mais que a mídia ocidental procure fortalecer a imagem dele no Iraque. Maliki possui aliados escassos e fracos, e o Partido Dawa foi desintegrado. O Conselho Islâmico Supremo do Iraque é atacado diariamente pelos próprios xiitas nacionalistas, por render-se aos interesses iranianos. Quanto aos sunitas, não há necessidade de comentários. Os curdos ainda apóiam o primeiro-ministro, mas não têm qualquer importância fora de seu enclave no norte do país, onde são atacados esporadicamente pelo Irã e pela Turquia, sem ouvir uma voz de defesa vinda do governo iraquiano. Ao que tudo indica, os dias de Maliki estão contados: quando a ocupação se for, ele também irá.

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Humam al-Hamzah
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A próxima derrota dos Estados Unidos

Julho 30, 2008

Por Humam al-Hamzah
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A PRÓXIMA DERROTA DOS ESTADOS UNIDOS

É de conhecimento público que George W. Bush enganou seu país e a comunidade internacional com os mitos das “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein e suas ligações com a Al-Qaida. Mas o que não se comenta na mídia ocidental é que as ilusões do presidente estadunidense nunca acabaram, e que há outras histórias em que ele continua enganando todos.

De fato, uma das frases mais ditas por George W. Bush e sua administração nos últimos anos é: “ouça o que o inimigo diz: a Al-Qaida considera o Iraque a frente de batalha central na guerra contra o terrorismo”. Por ignorância ou simples má fé, as afirmações da Casa Branca provaram-se não menos enganosas do que as acusações pré-invasão do Iraque. A verdadeira “frente de batalha” nunca deixou de ser as regiões tribais do Afeganistão e do Paquistão, em que os líderes da Al-Qaida estão reorganizados após as fugas de 2001 e onde seus aliados do Talibã mostram-se a cada dia mais perigosos e audaciosos contra as forças da OTAN. Nove soldados estadunidenses morreram em 13 de julho devido a ataques do Talibã no Afeganistão, mais do que a média diária no Iraque, e militares da ocupação na região confirmaram a “deteriorização da segurança”. Na frágil situação política do Paquistão, com seu arsenal nuclear, o Talibã parece ter se enraizado entre as comunidades mais necessitadas, e o país tornou- se o novo foco da Al-Qaida e seus aliados.

Apesar dessa realidade, a administração Bush continua a despachar soldados e equipamentos militares para o Iraque, deixando o Afeganistão como segundo plano, exatamente como a Al-Qaida havia planejado. É no mínimo ingênuo confiar tanto no que “o inimigo” diz. Assumindo que a Al-Qaida tenha mesmo chamado o Iraque de “frente de batalha central”, algo que a organização nunca publicou abertamente em centenas de comunicados, mas que Bush garante saber pelo trabalho do serviço de inteligência dos Estados Unidos, não é muito provável que esse argumento tenha sido usado exatamente para desviar a atenção dos estadunidenses para longe do Afeganistão?

As evidências aprendidas através dos comunicados oficiais da Al-Qaida e de outros documentos divulgados no transcorrer dos anos apontam justamente que o Iraque nunca foi a “frente de batalha central”. Por exemplo: em meados de 2005, no mais alto calor das batalhas no Iraque, o homem número 2 da Al-Qaida, Ayman al-Zawahiri, enviou um comunicado aos líderes da organização no país ocupado pedindo que “se possível, guardem algo como 100 mil dólares para contribuir com os esconderijos”. Ele referia-se, obviamente, à fuga dos líderes da organização que estavam no Paquistão. Ao invés dos fundos estarem vindo do Paquistão para o Iraque, o que acontecia era exatamente o contrário. Fontes da CIA reconheceram que esse não era o modo esperado de tratar-se uma “frente de batalha central”.

A invasão do Iraque representou o maior presente possível para a Al-Qaida e o Talibã, acusados pelos ataques de 11 de setembro de 2001. A invasão em 2003 desviou importantes investimentos e recursos de inteligência, como oficiais especialistas em “contra-terrorismo”, fluentes no idioma árabe, e toda a aparelhagem de espionagem, para longe de onde estavam os “homens mais procurados” pelos Estados Unidos. O Iraque tornou-se a grande distração da “guerra contra o terrorismo”, permitindo uma liberdade incrível para os líderes da Al-Qaida na sua principal base. Essa estratégia de sucesso pode ser claramente compreendida no comunicado de 2006 enviado pelo líbio Atiyah Abd al-Rahman, um dos homens mais próximos de Osama bin Laden, para o jordaniano Abu Musab al-Zarqawi, comandante de uma das organizações salafistas no Iraque associadas à Al-Qaida. A carta condenava a campanha precipitada de Zarqawi no Iraque, e expressava o interesse de “agir com mais calma para construir uma força política”. Nas palavras de Atiyah: “prolongar a ocupação é nosso interesse”. Portanto, ao invés de atacar os invasores com o intuito de expulsá-los e estabelecer uma base permanente no Iraque, como proclamava George W. Bush, o alto escalão da Al-Qaida queria mesmo amarrar os estadunidenses no Iraque, para que a liderança pudesse respirar com mais calma entre o Afeganistão e o Paquistão.

É irônico então que os mais recentes relatórios da Estimativa de Inteligência Nacional (EIN) dos Estados Unidos, que expressa consenso entre todas as 16 agências de inteligência estadunidenses, concluem que a guerra do Iraque tornou-se a “causa célebre” para “cultivar interessados pelo movimento jihadista internacional”. O Iraque tornou-se um local seguro e aberto para a recrutação da Al-Qaida, e ao mesmo tempo diminuiu a perseguição aos líderes no Afeganistão. Exatamente como a administração Bush menosprezou os perigos dos seus primeiros meses na Casa Branca, o mesmo erro repete-se hoje. A próxima derrota dos Estados Unidos está sendo escrita neste momento.

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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 113

Julho 28, 2008

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 113 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

– A próxima derrota dos Estados Unidos
– O governo-fantoche de Bagdá
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 113), tratando do “Plano Shamir” de Israel, em 1989.

As duas versões estão prontas – impressa e online.

A versão em PDF pode ser baixada diretamente nesse link:
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Heróis da resistência libertados

Julho 25, 2008

Por Humam al-Hamzah
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HERÓIS DA RESISTÊNCIA LIBERTADOS

Em um mundo de conflitos e atrocidades, heróis são raros de se encontrar. Entretanto, quando aparecem, seus valores são evidentes e comovem a todos. Mais do que confirmar a vitória do Hizbollah contra a invasão israelense ao Líbano em 2006, a libertação dos cinco soldados libaneses nessa semana marcou uma cena de união entre etnias e religiões por todo o Oriente Médio – um panorama precioso de se encontrar em uma região marcada por contraproducentes interferências estrangeiras. Mas a mídia ocidental tentou apagar a conquista árabe, ofuscando o heroísmo libanês.

É interessante como a imprensa ocidental apressou-se em suavizar a vitória libanesa para consolar a derrota da entidade sionista. “As milícias do Hizbollah são hienas quando assassinam e fazem terrorismo. Tanta violência causa repugnância. Devemos nos resignar ao mal?” indagou a matéria de Gilles Lapouge no jornal O Estado de São Paulo. Ironicamente, foi Israel, com o “exército mais moral do mundo”, que deixou mais de 1300 civis libaneses mortos ao invadir o Líbano, até ser forçado a retirar-se, depois de 34 dias de bombardeios a áreas residenciais. O Hizbollah deixou cerca de 160 israelenses mortos, 90% deles soldados. “Tanta violência causa repugnância”. Com certeza, mas em que lado está o “mal”?

O libanês Samir Kintar, herói do Líbano, tornou-se o foco da campanha da mídia ocidental de desinformação na fase atual de abater a vitória libanesa. “Ele é um assassino de criancinhas”, disse David Baker, porta-voz do governo israelense. “Uma de suas proezas foi esmagar a coronhadas o crânio de uma menina judia”, conforme reproduziu O Estado de São Paulo. Acusações como essas foram disseminadas abertamente, mas em nenhum caso os acusadores ousaram descrever a que evento essas incriminações referem-se.

Em 22 de abril de 1979, Kintar comandou a “Operação Nasser”, um ataque à base israelense de Naharya, a 10 km da fronteira libanesa, onde soldados seriam capturados para futura troca de prisioneiros. Com um bote inflável motorizado, Kintar e seus três soldados passaram despercebidos por seis esquadrões de navios militares israelenses, sob os narizes de soldados e radares da guarda costeira, e chegaram a Naharya, após um breve combate contra uma patrulha sionista. Ao invadir o “Edifício 61” do complexo militar, o grupo matou o sargento israelense Elyaho Shahar e capturou o cientista de energia atômica Dan Harn. Forças israelenses chegaram ao local e abriram fogo. Todos os quatro soldados da resistência foram atingidos. Samir Kintar tentou fugir com dois capturados – Dan Harn e sua filha. Atingido por cinco tiros, ele entregou-se, aguardando o martírio. “Os tiros foram tantos que até os dois capturados foram alvejados”, escreveu Kintar em uma carta enviada quando estava em uma prisão israelense. Apesar de Kintar e o outro sobrevivente do grupo, Ahmad al-Abrass, terem sido detidos no edifício, Dan Harn e sua filha foram encontrados mortos longe do local, “esmagados por coronhadas”. Aprisionado e silenciado por Israel por 29 anos, a notícia oficial fabricada pelo governo israelense e disseminada no Ocidente culpava o libanês pela morte do cientista e da criança. Essa semana, com a libertação de Samir Kintar e quatro prisioneiros do Hizbollah, a história mudou.

Há dois anos, Israel invadia o Líbano a fim de recuperar os dois soldados capturados pelo Hizbollah. Hoje, concordaram em trocar os mesmos dois soldados, já mortos, por cinco heróis da resistência vivos e 199 mártires palestinos e libaneses. Há quem ainda consiga afirmar que o Líbano não venceu, mas até a mídia ocidental precisou de todos os seus artifícios para tentar atenuar a vitória da resistência e sobrevalorizar o sofrimento sionista. As comemorações pelas ruas do Oriente Médio contam uma história de heroísmo e triunfo, que não será apagada pela investida ocidental.

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Um sugestivo aperto de mãos

Julho 24, 2008

Por Humam al-Hamzah
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UM SUGESTIVO APERTO DE MÃOS

O 23º Congresso Internacional Socialista, realizado no balneário de Lagonisi, na Grécia, havia sido completamente ignorado pela mídia ocidental, até que surgiu a notícia de que o presidente do governo-fantoche iraquiano, Jalal Talabani, havia se encontrado com o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, selando um “histórico aperto de mãos”. Mas ao que tudo indica, a “histórica” reunião entre os dois aliados dos Estados Unidos não se fez pelos motivos divulgados no Ocidente.

O diário israelense Haaretz exaltou que “a história foi feita em Atenas”. Apreciando o pacto fimado na reunião do dia 1º de julho, o jornal apresentou uma foto de dois sorridentes, Ehud Barak e Jalal Talabani, unidos pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Nada mais sugestivo e comemorativo do que o tema do Congresso Internacional Socialista de 2008: “solidariedade global”. Mais de 600 participantes de 150 organizações políticas em 120 países atenderam aos três dias de reuniões, mas pouco além do encontro formal entre Israel e Iraque, dois países ainda considerados inimigos, foi comentado. O Iraque ainda não reconhece a existência de Israel e foi, durante muitos anos, um implacável inimigo do “lar nacional judaico” sob o governo de Saddam Hussein.

Os três indivíduos envolvidos fazem parte de estabelecimentos políticos financiados e mantidos pelos Estados Unidos. Abbas e Talabani controlam as estruturas de governo-fantoche, sem soberania ou poder político, instaladas pela administração Bush. Ambos são totalmente dependentes de roteiros elaborados pela Casa Branca. Israel, representado por Ehud Barak, cumpre o papel de protegido dos Estados Unidos, uma nação dependente do poderio militar financiado por Washington. Como sempre, o estado sionista está “incansavelmente promovendo a união entre os árabes”, contando que isso não implique na ocupação e expansão sobre as terras palestinas, ou envolva qualquer concessão por parte do “lar nacional judaico”.

O “histórico aperto de mãos” entre Jalal Talabani e Ehud Barak se provou, na realidade, muito mais um encontro de “missão cumprida” do que uma aproximação entre dois prováveis inimigos. Israel não é apenas indiretamente responsável pela invasão do Iraque, por ter fornecido aos Estados Unidos os relatórios fabricados sobre as famosas “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, e investido na campanha de mídia que se seguiu por todo o mundo. O “lar nacional judaico” também agiu diretamente na formação do atual governo-fantoche liderado por Talabani. Ainda em março de 2003, no início da invasão, o governo israelense afirmou no jornal Haaretz a intenção de “reabrir antigos oleodutos dos campos de petróleo curdos de Kirkuk, no Iraque, para o porto israelense de Haifa”. Joseph Paritzky, na época ministro da Infraestrutura de Israel, sugeriu que “após Saddam Hussein, o petróleo iraquiano poderá fluir para o estado judaico, de onde será vendido e consumido por seus aliados”. Portanto, o interesse de Israel no petróleo curdo e, conseqüentemente, nos curdos iraquianos, fazia parte dos planos no Iraque.

Jalal Talabani, um agente curdo da CIA que há décadas perseguia a criação de um protetorado petrolífero curdo subtraído à nação árabe, se tornou o primeiro presidente não-árabe de um país árabe. Líder do partido União Patriótica do Curdistão (UPC), Talabani é constantemente descrito como um homem que lutou fervorosamente contra Saddam Hussein – um grande engano. Após a Guerra do Golfo, em 1991, tempos depois dos curdos serem brutalmente reprimidos pelas forças de Saddam, Talabani liderou uma delegação curda iraquiana que, em junho de 1991, assinou um acordo de paz e amizade com Saddam Hussein. Tornou-se conhecida a foto de Jalal Talabani cumprimentando Saddam Hussein, em um dos palácios deste, com um beijo. Mas a traição não demorou. Após colaborar na coordenação de forças curdas em apoio aos estadunidenses na invasão do Iraque, Talabani expandiu sua relação com Israel em 2004, abrindo as portas da região semi-autônoma do Curdistão para forças israelenses, que de lá executavam operações secretas nas regiões curdas da Síria e do Irã, além de no norte do Iraque. A missão dos aliados pró-invasão havia sido cumprida.

Nesse caso, muito mais do que o presidente do Iraque, Jalal Talabani é o fundador e secretário-geral do maior partido político curdo. Sua luta pela soberania curda, mesmo que traindo os próprios curdos no passado, abrange um período de cinco décadas. Será então que o aperto de mãos na Grécia seria um reconhecimento público dessa “missão cumprida”? Sugerir que “a história foi feita em Atenas” é, no mínimo, infundado. O que deveria ser analisado é o motivo de os governos de Israel e Iraque decidirem, agora, abrir ao público os seus “gestos de boa vontade” iniciados em 2003.

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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 112

Julho 21, 2008

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As manchetes dessa nova edição são:

– Um sugestivo aperto de mãos
– Heróis da resistência libertados
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 112), tratando da segunda detenção do xeque Ahmed Yassin, em 1989.

As duas versões estão prontas – impressa e online.

A versão em PDF pode ser baixada diretamente nesse link:
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Quantos mísseis atingirão Israel?

Julho 21, 2008

Por Humam al-Hamzah
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QUANTOS MÍSSEIS ATINGIRÃO ISRAEL?

Na última semana, chamou à atenção a palestra regida pelo general Eitan Ben Eliahu, comandante da Força Aérea de Israel entre 1996 e 2000, sobre o possível cenário de guerra caso combates sejam iniciados contra a República Islâmica do Irã. A temática principal era: “quantos mísseis atingiriam Israel?” Com uma palestra realista, em que Ben Eliahu descreveu a “doutrina de segurança” israelense, as respostas assustaram a muitos em Israel.

Eitan Ben Eliahu iniciou a palestra definindo a “doutrina de segurança” que há anos rege o “lar nacional judaico”. Criado na década de 1950, o conceito israelense considera o uso de força militar de três maneiras: um ataque preventivo; um ataque antecipado, para destruir preparações militares de inimigos; e, em caso de guerra aberta, ações rápidas para destruir de uma vez o inimigo. De acordo com a doutrina, o processo de derrotar o inimigo é baseado em elementos de surpresa, concentrados em eliminar o poderio aéreo inimigo. Como diz o ditado: ”quem controla os céus, domina a terra”. Essas regras, combinadas com o apoio incondicional dos Estados Unidos, nos tempos do seu apogeu, garantiram uma noção de segurança para o governo israelense até o fim da década de 1980.

Desde então, a doutrina não se provou tão eficaz. Israel foi surpreendido por outras forças que usaram esse elemento de surpresa, as guerras se tornaram mais longas e o risco de armas químicas e nucleares do “lado inimigo” cortaram os braços dos militares israelenses muitas vezes. A humilhante derrota para o Hizbollah na invasão de 2006, e o insucesso em sufocar o povo palestino ao manter o recente cerco em Gaza, provam isso. Segundo Ben Eliahu, nos 34 dias de guerra, o partido político e movimento de resistência libanês atingiu mais de 4200 foguetes em território israelense. Por sua vez, Israel conduziu quase 12 mil operações de ataque (uma média de 340 operações por dia), sem chegar a resultado algum. Desde então, Israel expandiu o seu orçamento de defesa anual de 35 bilhões de dólares para 50 bilhões, reconhecendo a necessidade.

O ápice da palestra foi quando Eitan Ben Eliahu descreveu o possível cenário de guerra contra o Irã. Segundo ele, Israel deve se preparar para o seguinte panorama: três frentes de combate (Irã, Líbano e Palestina); destruir o inimigo em uma delas (o Hamas, em Gaza, ou o Hizbollah, no Líbano); conter qualquer avanço da frente palestina; e infligir uma punição de longo termo para o Irã. O comandante estima que o Hizbollah tenha acesso hoje a mais de 14 mil foguetes de curto e médio alcance, e que o Irã consiga atingir o território israelense com cerca de 300 foguetes de longo alcance (Shahab 2 e 3). Os mísseis Shahab 2 e 3, produzidos em série regular e que carregam ogivas pesando cerca de 800 quilos, podem atingir alvos em todo o Oriente Médio. Ben Eliahu assustou a todos ao explicar que, para eliminar completamente um foguete como o Shahab 2 e 3, são necessários pelo menos dois mísseis interceptadores e entre 500 e 700 mísseis simples. “Seriam pelo menos 20 dias de guerra, em um ritmo muito mais tenso do que a última invasão do Líbano”, disse ele. Portanto, segundo o comandante israelense, os riscos e custos de uma retaliação iraniana são “incalculáveis”.

A tensão aumentou recentemente, com as forças israelenses ameaçando lançar uma “ação preventiva” contra instalações iranianas, utilizando bombas de penetração B61-11, fornecidas pelos Estados Unidos. Mas Israel pode estar menosprezando a capacidade militar de seus inimigos. O contingente iraniano soma um milhão de soldados, “preparados para morrer pela nação”, como descreveu o presidente Mahmoud Ahmadinejad. A palestra do general israelense Eitan Ben Eliahu chocou a muitos, mas abriu os olhos de que passou o tempo em que Israel era invencível.

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