Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 127

Fevereiro 2, 2009

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 127 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

– Derrota certa no Afeganistão
– Silêncio de Obama em Gaza
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 127), tratando da Guerra do Golfo, em 1991.

As duas versões estão prontas – impressa e online.

A versão em PDF pode ser baixada diretamente nesse link:
http://www.orientemediovivo.com/pdfs/edicao_127.pdf

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Humam al-Hamzah
Fundador e Editor
Oriente Médio Vivo
www.orientemediovivo.com


Por trás do massacre de Gaza

Janeiro 22, 2009

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
www.orientemediovivo.com

POR TRÁS DO MASSACRE DE GAZA

No amanhecer de 27 de dezembro de 2008, forças militares israelenses impediram o acesso a Gaza para jornalistas locais e estrangeiros. A energia elétrica foi cortada e linhas telefônicas e computadores não mais funcionaram. Por volta das 11h30 (horário local, 15h30 em Brasília), 60 jatos F-16 israelenses iniciaram a intitulada “Operação Chumbo Fundido” contra a população de Gaza. Em 3 minutos e 40 segundos, mais de 50 alvos militares e civis foram atacados, matando duzentas pessoas e ferindo outras mil, a maioria civis. Horas depois, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, promove uma conferência de mídia em Tel Aviv, a capital da entidade sionista, iniciando outra guerra – a da desinformação. Com a ministra do Exterior, Tzipi Livni, sentada ao seu lado direito dele, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, à esquerda, Olmert assim inicia a cerimônia: “Poderá levar tempo, e cada um de nós deverá ser paciente para que completemos essa missão”. Entretanto, em momento algum os líderes sionistas divulgaram para o mundo qual seria a tal “missão” contra o povo de Gaza.

Semanas depois da abertura dos portões de Gaza para a invasão brutal de Israel, é possível compreender perfeitamente sobre qual “missão” Olmert se referia, apesar de a mídia ocidental preferir ainda assim jogar de acordo com as regras da entidade sionista. Primeiramente, Israel procura há algum tempo a destruição do Hamas. Após a vitória esmagadora do partido político palestino nas eleições gerais de 2006, a comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos, por meio de pedido inicial de Israel, instaurou um cerco internacional contra Gaza, impedindo o envio de ajuda humanitária, econômica e bloqueando ações do Hamas fora do território. Israel fez sua parte em solo ao literalmente sufocar Gaza, criando o maior centro de detenção do mundo, um campo de concentração para 1,5 milhão de pessoas. Enfim, a recente invasão procura inicialmente destruir Gaza internamente, eliminar políticos palestinos, líderes religiosos, soldados da resistência e a população civil – essa última, a fim de promover uma revolta popular contra o Hamas e ensinar uma lição ao próprio povo palestino por ter “votado no partido errado”, como uma vez declarou George W. Bush. Porém, como no passado, o abuso da força militar se tornou uma arma contra Israel. Nem mesmo a corporativa mídia ocidental conseguiu esconder os crimes diários dos sionistas em Gaza, apesar da censura de Estado ter sido aplicada perfeitamente pela suposta “única democracia do Oriente Médio”. Não é nem sequer mais discutido que o abuso do poder criou a própria vulnerabilidade de Israel, e fortaleceu o Hamas aos olhos do mundo.

Outro objetivo da missão israelense, também ignorado pela maior parte do Ocidente, relaciona-se às eleições que se aproximam. Assombroso e cruel como pode parecer, a invasão reflete uma tentativa dos partidos israelenses Kadima e Trabalhista para derrotar o Likud, de Benjamin Netanyahu, que lidera as pesquisas até a metade de janeiro. Essa realidade ficou evidente a partir dos primeiros momentos dos ataques, ainda na conferência organizada por Olmert. Os dois principais concorrentes de Netanyahu são Livni e Barak, que posavam ao lado de Olmert. A intenção dos partidos israelenses é apagar a imagem de que o Kadima e o Partido Trabalhista “pegam leve com os palestinos”, como Netanyahu havia criticado. Se a estratégia política vergonhosa funcionou é difícil de afirmar, mas a decisão de procurar votos usando como ferramenta o massacre de palestinos diz muito sobre os três principais concorrentes das eleições de Israel.

Outra clara finalidade da invasão massiva de Gaza envolve a moral das Forças de Defesa de Israel. Após a humilhante derrota no Líbano para o Hizbollah em 2006, em que nenhum dos objetivos sionistas foi completado e o partido político libanês conquistou ainda mais espaço no governo do Líbano, Israel procurou opções visando restabelecer a moral perdida e desenvolver o arsenal que não trouxe vitórias. Na última primavera (setembro de 2008), o alvo escolhido para testes de laboratório foi a Síria, e atualmente o foco está voltado para Gaza. Enfatizar que em 3 minutos e 40 segundos os israelenses foram capazes de atingir mais de 50 alvos e deixar mais de 200 mortos é um dos meios que a entidade sionista usou para reconquistar um pouco de autoridade regional. Após uma série de derrotas políticas e militares contra vizinhos, Israel decidiu usar Gaza para uma nova prova de força. Com a censura de mídia, os civis palestinos se tornaram meras cobaias, completamente isolados do mundo de fora, usados como animais de teste para os mais controversos venenos.

Não é estranho que, nessa lista de objetivos da invasão, não há menção alguma sobre como cessar o lançamento de foguetes Qassam do Hamas contra os territórios ocupados por Israel? É exatamente nisso que a mídia ocidental entrou no jogo dos sionistas dessa vez. A única finalidade inverídica sobre a invasão de Gaza é exatamente a única que o governo de Israel insiste em divulgar. Trata-se de uma campanha de desinformação do público. Israel poderia ter dado um fim definitivo ao lançamento de foguetes há muito tempo. De fato, durante o período de cessar-fogo, Israel respirou em plena paz, apesar de incidentes terem eclodido como resposta ao cerco de Gaza, que não foi suspendido nem sequer por um dia durante o cessar-fogo. A mídia ocidental torna-se criminosa ao afirmar que o Hamas deu um fim ao cessar-fogo de 6 meses. Israel manteve Gaza sitiada, sem dinheiro, alimentos, remédios e, muitas vezes, sem acesso a água e energia elétrica, além de executar soldados do Hamas extra-judicialmente e assassinar figuras políticas palestinas indiscriminadamente, sem contar os bombardeios cotidianos de áreas civis. Enquanto Israel manteve seus leões nas jaulas, os israelenses respiraram em paz, sem chuvas de foguetes. Quando os soltaram, o cessar-fogo foi terminado.

Novamente, ao invés de prolongar a trégua e fortalecer as negociações de paz, Israel decidiu pela violência, brutalidade e força, uma estratégia contrária à utilizada pelo Hamas desde o acordo de cessar-fogo. Se a entidade sionista realmente se preocupasse com a vida de seu próprio povo e com o futuro da existência de Israel entre inimigos no Oriente Médio, deveria ter lidado de maneira diferente. Ao invés de mentiras, fatos; ao invés de violência, diálogo; ao invés de ódio, razão. São centenas de homens, mulheres e crianças que se tornam mártires, e o mundo inteiro que assiste esse genocídio por trás dos portões de Gaza. Isso não será esquecido.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com
Edição Especial de Gaza – http://orientemediovivo.com/pdfs/edicao_gaza.pdf


Obama eleito: mudança ou mesmisse?

Janeiro 15, 2009

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
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OBAMA ELEITO: MUDANÇA OU MESMISSE?

Eleito com folga à presidência dos Estados Unidos, a celebridade Barack Obama em breve passará a dirigir um país que administra duas guerras derrotadas, ao mesmo tempo em que luta contra uma grave crise econômica sem precedentes. Apesar das exageradas comemorações nas ruas estadunidenses, que refletem um sentimento de alívio carregado de culpa, ainda é muito incerto qual será o rumo da decadente “única superpotência”. Afinal, após meses da incansável retórica de “nós podemos mudar”, o que representa Obama no comando dos Estados Unidos: mudança ou mesmisse?

O povo estadunidense votou em massa contra a combinação letal de ganância representada pelos dois termos de George W. Bush. Mais do que um aceitamento das mudanças propostas por Barack Obama, que nunca ficaram muito claras ou se provaram possíveis, a nação votou por um sentimento comum de culpa e vergonha. Muitos preferem ignorar essa realidade, mas os mesmos eleitores que essa semana elegeram Obama colocaram George W. Bush no poder – por dois termos consecutivos. Não podemos cair na mesma ilusão de que, após uma histórica eleição, todos os corações dos Estados Unidos se transformaram. Uma utopia como essa pode se tornar destrutiva, não menos do que o exagero da apelação militar dos dois últimos termos republicanos.

Alguns afirmam que os estadunidenses votaram contra a administração mais sionista de que se tem notícia, que conscientemente a nação disse “não” às guerras sionistas e aos interesses israelenses. Declarações como essas são, no mínimo, irônicas. De que se tem conhecimento, pouquíssimos estadunidenses entendem qualquer coisa sobre o envolvimento do governo do seu país com a entidade sionista. Para ser otimista, o máximo que se pode dizer é que, frustrados com o caminho que os Estados Unidos trilharam nos últimos anos, os eleitores votaram em uma opção radical e inesperada, a fim de escapar da realidade atual. Mas será que as coisas realmente mudarão? Ao que tudo indica, Barack Obama já se uniu ao clube de interesses sionistas, e passo a passo deverá conduzir os Estados Unidos no mesmo caminho dos últimos anos.

A primeira decisão de Barack Obama como presidente eleito dos Estados Unidos foi escolher como chefe de gabinete o judeu Rahm Emanuel, deputado de Illinois na Câmara dos Representantes e profundo conhecedor do mundo político de Washington e da Casa Branca, por ter sido conselheiro pessoal de Bill Clinton. Ele era encarregado de coordenar projetos especiais da Casa Branca nesse período da história em que, no Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, 7 dos 11 nomeados eram judeus. Clinton os designou para os pontos mais sensíveis das administrações de segurança e do estrangeiro. Segundo o próprio Emanuel, “o Holocausto cria um senso de destino compartilhado por todos os judeus. Os judeus devem agir para tornar Israel forte”. A escolha não parece uma mudança muito promissora. O que acontece é que, a uma distância de milhares de quilômetros de Israel, existe um florescente centro judaico que não apenas a admira e a apóia, mas que também sente um destino compartilhado. Esse é o maior perigo para a independência dos Estados Unidos.

E é por isso que até eleger-se senador, Obama foi ativo nos movimentos em favor do povo palestino. Após ocupar a importante cadeira política, passou a pender para o lado israelense, como resultado das pressões dos lobbies judaicos e, para ser mais direto, de olho na candidatura à presidência no futuro. A partir de que Obama se tornou o candidato democrata para as eleições presidenciais, a sua exageração pró-Israel manchou a imagem de “mudança” tão prometida por ele nas fases iniciais de campanha. Ao visitar Jerusalém, a cidade sagrada das três grandes religiões monoteístas, Obama garantiu que, em seu termo como presidente, “Jerusalém permanecerá intacta”. Essa posição, dividida entre todos os presidentes estadunidenses desde a unilateral independência de Israel, nega a Lei Internacional. “Qualquer acordo com o povo palestino deve preservar a identidade de Israel como Estado judeu”, declarou Obama. Assim como qualquer outro líder estadunidense, Obama promete manter a mesma política cega que desestabiliza o Oriente Médio há gerações, protegendo indiscriminadamente Israel e opondo-se a qualquer medida que possa levar a paz à região.

Desde que Barack Obama surgiu como um sério candidato à presidência dos Estados Unidos, a importância de preservar a ordem de interesse que se encontra Israel na agenda estadunidense se tornou evidente. Passo a passo, a sua postura comprometida e coerente com relação aos direitos dos palestinos desapareceu. A sua primeira decisão como presidente, um dia após a eleição, foi anunciar um líder sionista como seu chefe de gabinete. Separando otimismo de realismo, o futuro promete mudança ou mesmisse?

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com
Edição nº120 – http://orientemediovivo.com/pdfs/edicao_120.pdf


Expandindo a humilhação no Iraque

Julho 2, 2008

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
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EXPANDINDO A HUMILHAÇÃO NO IRAQUE

Quando as forças estadunidenses invadiram Bagdá há cinco anos, pareciam imbatíveis. A arrogância imperialista demonstrava que em pouco tempo o mesmo cenário se repetiria em Teerã ou Damasco. Mas as festividades ocidentais acabaram tão brevemente como começaram. Pode-se dizer que o dia em que Saddam Hussein foi oficialmente derrubado marcou o início dos verdadeiros combates no Iraque, e também o fim dos sonhos estadunidenses. Entretanto, ao que tudo indica, George W. Bush ainda planeja fazer da invasão do Iraque o seu legado.

O líder dos Cruzados, que um dia prometeu “enfrentar a tirania a qualquer preço”, mobilizou a sua administração nas últimas semanas em uma manobra propositalmente omitida pela mídia ocidental, no intuito de conseguir um acordo com o governo-fantoche iraquiano para garantir os interesses colonialistas dos Estados Unidos no Iraque. Nesse momento-chave da administração Bush, advogados e diplomatas estadunidenses lutam no parlamento do Iraque para aprovar uma lei que lhes garante o controle do petróleo iraquiano, o estabelecimento de 13 bases militares permanentes no país e imunidade a cidadãos estadunidenses das leis iraquianas – tudo por “tempo indefinido”.

A missão colonialista não será fácil. A Casa Branca insistiu na retórica derrotada de “levar democracia, liberdade e segurança” ao povo iraquiano, com o intuito de pressionar a ONU, um órgão que se provou fraco e irrelevante desde 2003, a fim de legitimar temporariamente a ocupação. Mas a conduta estadunidense no solo iraquiano contava outra história: uma Cruzada imperial, monopolizando a violência e o total desrespeito para com a Lei Internacional, ignorando a soberania do Iraque e os direitos humanos de toda uma nação. No momento em que se aproxima o fim do mandato da ONU da permanência estadunidense no Iraque (em 31 de dezembro de 2008), a administração Bush tem a árdua tarefa de convencer os iraquianos, os mesmos que viram todos e quaisquer direitos ignorados, a ceder e permitir que os Estados Unidos permaneçam no país. Após 31 de dezembro deste ano, o governo iraquiano tem a liberdade legal de convocar os estadunidenses para se retirarem do país – e levar embora com eles os sonhos coloniais.

Com esse acordo, os Estados Unidos procuram substituir o aval da ONU por um concedido pelo próprio governo do Iraque – trata-se de uma tentativa de burlar a Lei Internacional, e evitar possíveis vetos da Rússia e da China, caso alguma votação sobre o caso aconteça na Assembléia Geral da ONU. Contudo, enquanto as retóricas militares disseminam a procura pela “estabilidade” no Iraque, o maior interesse da administração Bush é que o governo iraquiano não consiga sustentar-se sozinho, sendo assim obrigado a assinar o acordo para contar com o apoio militar estadunidense. Esse é um dos motivos pelo qual o governo-fantoche de Nouri al-Maliki, instalado pelos Estados Unidos, é propositalmente frágil, cercado por inimigos que somente aguardam a retirada das tropas estadunidenses para lutar pelo poder. É um ponto a favor do plano da Casa Branca, que coloca a nação iraquiana sob seqüestro de uma força estrangeira.

Desde o final de 2007, oficiais da ONU e políticos do Iraque afirmam que não têm a intenção de ceder um novo mandato de permanência aos Estados Unidos. O acordo proposto pela administração Bush, portanto, representa a única opção que pode legalizar a ocupação. A idéia do acordo é dar a impressão de que a relação entre os Estados Unidos e o Iraque não é uma entre ocupante e ocupado, mas de dois “soberanos” com “interesses mútuos”. Pode-se argumentar que não existem possíveis cenários agradáveis para o Iraque sob a presença militar dos Estados Unidos. Os tesouros iraquianos do passado foram roubados, destruídos ou desperdiçados imediatamente após a sua “libertação”. O presente é marcado pelo derramamento de sangue e por uma triste incerteza. A administração Bush quer agora garantir que o futuro do país também seja movido pela violência, humilhação e tristezas de guerra.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo –
http://www.orientemediovivo.com.br
Edição nº109 –
http://orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_109.pdf

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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 108

Junho 23, 2008

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 108 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

– Partido Ba’ath: “Estamos preparados para a retirada”
– Talibã alerta sobre captura de Cabul
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 108.), tratando do discurso de Yasser Arafat à ONU, em 1988.

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Entre rios de resistência

Junho 19, 2008

Por Humam al-Hamzah
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ENTRE RIOS DE RESISTÊNCIA

Desde o primeiro dia da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003, atrás das “armas de destruição em massa” de Saddam Hussein, que nunca existiram, a heróica resistência do povo iraquiano se mostrou presente. A missão de conquistar o petróleo iraquiano e garantir seu controle por meio da produção e da exportação não vingou pois, coletivamente, os iraquianos sabiam que a invasão nada tinha de “liberdade” e “democracia”.

A resistência consiste em muito mais do que insurgência militar, que é falsamente sumarizada como “terroristas da Al-Qaeda” pela mídia ocidental. Não é exagero admitir que, em todos os níveis da sociedade, e com muito sacrifício, o povo iraquiano frustrou os planos imperialistas dos invasores. Na primeira manhã após a invasão ao país, na importante cidade de Al-Fallujah, e introduzindo um processo que rapidamente se expandiu por todo o Iraque, líderes locais formaram um novo governo baseado em estruturas tribais. Ao invés de esperarem pela “liberdade” e “democracia” que “estavam a caminho”, esses subgovernos evitaram revoltas civis ao formar suas próprias milícias para policiar suas comunidades. Ninguém contava com apoio dos estadunidenses. São essas dezenas de grupos locais, formados após a invasão ao país, que hoje são classificados pelos militares estadunidenses e pela mídia ocidental como “Al-Qaeda”, em uma completa e proposital ignorância da realidade da guerra.

Em outra arena, a do petróleo, o histórico fator predominante no envolvimento dos Estados Unidos no Iraque, a situação não foi diferente. A missão imediata com a invasão em 2003 era a captura de terminais e campos petrolíferos, dobrar em pouco tempo os níveis de produção do pré-guerra e transferir o controle da produção e exportação para empresas estrangeiras. Nesse campo, as milícias e os civis iraquianos agiram em completa harmonia contra os interesses dos invasores. Dos mais conceituados engenheiros aos mais simples trabalhadores das refinarias iraquianas, a produção de petróleo foi completamente nulificada após a invasão. Engenheiros boicotaram o trabalho, trabalhadores sabotaram as refinarias e as milícias incendiaram campos de petróleo e oleodutos. Com isso, planos imperialistas como a imediata da transferência do porto de petróleo de Al-Basra para a estadunidense KBR, subsidiária da aliada da família Bush, a Halliburton, foram abortados.

A guerra pelo petróleo continua, mas mesmo 5 anos após a invasão, o povo iraquiano resiste. Neste início de junho, em uma total omissão da mídia ocidental, líderes sunitas e xiitas rejeitaram um novo “acordo de segurança” proposto pelos Estados Unidos ao governo-fantoche iraquiano, que garantiria o controle do petróleo, o estabelecimento de 13 bases permanentes nos quatro cantos do país e imunidade a cidadãos estadunidenses das leis iraquianas. O mandato da ONU de permanência estadunidense no Iraque termina em 31 de dezembro de 2008, e esse acordo poderia dar margens à expansão da permanência militar no país. Em mais um ato de resistência, figuras importantes do governo recusaram o pacto, e forçaram os Estados Unidos a iniciar uma procura por novas vias de burlar as leis da ONU.

Uma recente pesquisa conduzida pela World Public Opinion avalia que 78% dos iraquianos são contra a presença das forças estrangeiras no país, e “acreditam que a presença dos mesmos contribui com a violência, ao provocar mais conflito do que prevenir”. Mais do que isso, 53% dos iraquianos acreditam que “a segurança irá melhorar em poucas semanas após a retirada”. Os iraquianos pagaram um preço terrível pela resistência. A invasão e as mudanças sociais e econômicas que lhe acompanharam destruíram o Iraque, deixando a sociedade arruinada. Conscientemente, eles se sacrificaram para conter o avanço dos Estados Unidos pelo Oriente Médio, rico em petróleo e no coração das terras árabes. A resistência vive!

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo –
http://www.orientemediovivo.com.br
Edição nº107 –
http://orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_107.pdf

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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 107

Junho 17, 2008

Assalamualaikum!

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As manchetes dessa nova edição são:

– Mais um golpe de mídia contra o Irã?
– Entre rios de resistência
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 107), tratando do envolvimento dos Estados Unidos na Guerra Irã-Iraque, em 1988.

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http://www.orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_107.pdf

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