Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 128

Fevereiro 9, 2009

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 128 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

– As raízes do conflito
– Motivos da violência de Israel em Gaza
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 128), tratando da Guerra do Golfo, em 1991.

As duas versões estão prontas – impressa e online.

A versão em PDF pode ser baixada diretamente nesse link:
http://www.orientemediovivo.com/pdfs/edicao_128.pdf

Você pode também receber o jornal impresso gratuitamente em casa, contatando o seguinte e-mail:
contato@orientemediovivo.com

Agradeço a atenção de vocês.

Lembrem-se de visitar o nosso novo website oficial (www.orientemediovivo.com), com mais informações sobre o nosso trabalho e todas as edições passadas para serem baixadas de modo fácil e rápido, e nosso novo Fórum de Discussões (www.orientemediovivo.com/forum), um novo ambiente.

Humam al-Hamzah
Fundador e Editor
Oriente Médio Vivo
www.orientemediovivo.com

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Jornal Oriente Médio Vivo – Edição 127

Fevereiro 2, 2009

Assalamualaikum!

Anunciando a publicação da Edição nº 127 do jornal Oriente Médio Vivo.

As manchetes dessa nova edição são:

– Derrota certa no Afeganistão
– Silêncio de Obama em Gaza
– Resistência Iraquiana – eventos da semana

Além disso, é claro, a continuação da História dos Conflitos (Parte 127), tratando da Guerra do Golfo, em 1991.

As duas versões estão prontas – impressa e online.

A versão em PDF pode ser baixada diretamente nesse link:
http://www.orientemediovivo.com/pdfs/edicao_127.pdf

Você pode também receber o jornal impresso gratuitamente em casa, contatando o seguinte e-mail:
contato@orientemediovivo.com

Agradeço a atenção de vocês.

Lembrem-se de visitar o nosso novo website oficial (www.orientemediovivo.com), com mais informações sobre o nosso trabalho e todas as edições passadas para serem baixadas de modo fácil e rápido, e nosso novo Fórum de Discussões (www.orientemediovivo.com/forum), um novo ambiente.

Humam al-Hamzah
Fundador e Editor
Oriente Médio Vivo
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Lições de fé em Gaza

Janeiro 23, 2009
Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
http://www.orientemediovivo.com

LIÇÕES DE FÉ EM GAZA

Ao entender o que acontece em Gaza, mesmo que de longe, pela televisão ou pela Internet, é comum ouvir comentários de que “Deus não pode existir”. No Ocidente, esse sentimento cresce a cada toque de recolher, a cada bombardeio que varre bairros inteiros, a cada rajada de metralhadora que atinge uma criança inocente. É nesse contexto que Gaza renasce a cada sofrimento – uma verdadeira lição de fé para o mundo.

Enquanto imagens mostram bombas detonadas contra apartamentos em Gaza, uma mãe, sozinha, aparece à procura de algo de valor inestimável. Alguns vizinhos correm para ajudá-la, e logo ela encontra o que procurava – o corpo da filha dela de 6 anos, que não conseguiu escapar a tempo do ataque de tanques israelenses. Quase em silêncio, a mãe sussurra à filha, sem vida: “Vá com Deus, minha menina, encontre os anjos”. A mesma cena se repete por Gaza, a cada mártir que abandona essa vida sem ter tido a opção de viver. Enjaulados, famintos e sufocados, os palestinos são massacrados como insetos. O único consolo a essas famílias parece ser a esperança de calma depois da morte.

Não longe, outra tragédia. Uma multidão se encontra envolta em gás, fumaça e poeira. No meio da multidão estão oito jovens segurando um pedaço de tecido branco enrolado ao qual ainda chamam por nomes – são filhas e filhos desses homens. Por um breve momento, em Gaza não há gritos, nem choro ou revolta. Quando a poeira dissipa, os oito pais, cercados por vizinhos, parecem se perguntar quem recebeu a maior bênção: as crianças que foram brutalmente assassinadas por soldados israelenses, ou eles próprios, que terão uma segunda chance para tentar encarar o futuro. Um dos pais coloca a filha no chão, ajoelha-se ao lado e diz: “Você estará inteira novamente no Paraíso, encontraremo-nos lá”. Todos seguem o exemplo, enquanto as primeiras lágrimas envolvem as dezenas de faces.

No hospital geral da cidade de Gaza, entre as vítimas que chegam a cada minuto, sendo mais de 30% delas crianças, um pai finalmente encontra seus dois filhos – lacrados em um saco preto. Esse homem, que perdeu um irmão e a esposa horas atrás, encontrou o que procurava. Ele abre o primeiro saco para reconhecimento, e encontra o caçula, com dois tiros certeiros na região do coração. Ainda calmo, o pai abre o segundo saco, e encontra o outro filho, também com dois tiros na região do peito. Desce a primeira lágrima. Ele pega o filho mais novo e coloca junto ao outro, como se os meninos ainda pudessem proteger-se. “Deus é grande, obrigado por tudo, Senhor”, diz ele. Fecha os sacos, encomenda um funeral próprio, e encara o fim de mais um dia, em meio a gritos de socorro ecoados pelos sons de bombas e tiros.

Em outra manhã de bombardeios indiscriminados, trabalhadores da ONU coordenam com oficiais israelenses o abrigo de centenas de órfãos dos primeiros dias de batalha em uma escola da ONU em Gaza. Mais de 300 crianças são colocadas no edifício em um acordo entre a ONU e invasores do território palestino. Duas horas depois, uma chuva de bombas sobre a escola. Há crianças mortas, e outras machucadas permanecem imóveis, encarando o sofrimento de perto, indagando o que acontecerá em breve. Voluntários da ONU passam a contar os mortos, separar os feridos e alistar os desaparecidos. Hospitais, escolas, mesquitas, residências e a própria ONU são todos alvos legítimos. Nesse caso, nem sequer havia pais e mães para enterrar seus filhos.

Governantes inertes negociam um cessar-fogo. As televisões fabricam rumores de acordos bilaterais. O presidente eleito Obama permanece calado – pelo primeiro dia desde que se tornou um candidato à presidência, Obama não aparece na televisão. Pais procuram filhos debaixo de rochas e poeira. Nas poucas câmeras que furaram a censura de Israel, tudo o que se vê são pilhas de concreto, braços, pernas, vidros quebrados, cabeças e sangue. Nos letreiros da televisão, os números aumentam a cada hora. Mas em Gaza, no coração do sofrimento desse conflito, as crianças são vistas inteiras, cobertas com um véu branco, saudáveis e sorridentes. “Corram a caminho do Paraíso”.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com
Edição Especial de Gaza – http://orientemediovivo.com/pdfs/edicao_gaza.pdf


Por trás do massacre de Gaza

Janeiro 22, 2009

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
www.orientemediovivo.com

POR TRÁS DO MASSACRE DE GAZA

No amanhecer de 27 de dezembro de 2008, forças militares israelenses impediram o acesso a Gaza para jornalistas locais e estrangeiros. A energia elétrica foi cortada e linhas telefônicas e computadores não mais funcionaram. Por volta das 11h30 (horário local, 15h30 em Brasília), 60 jatos F-16 israelenses iniciaram a intitulada “Operação Chumbo Fundido” contra a população de Gaza. Em 3 minutos e 40 segundos, mais de 50 alvos militares e civis foram atacados, matando duzentas pessoas e ferindo outras mil, a maioria civis. Horas depois, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, promove uma conferência de mídia em Tel Aviv, a capital da entidade sionista, iniciando outra guerra – a da desinformação. Com a ministra do Exterior, Tzipi Livni, sentada ao seu lado direito dele, e o ministro da Defesa, Ehud Barak, à esquerda, Olmert assim inicia a cerimônia: “Poderá levar tempo, e cada um de nós deverá ser paciente para que completemos essa missão”. Entretanto, em momento algum os líderes sionistas divulgaram para o mundo qual seria a tal “missão” contra o povo de Gaza.

Semanas depois da abertura dos portões de Gaza para a invasão brutal de Israel, é possível compreender perfeitamente sobre qual “missão” Olmert se referia, apesar de a mídia ocidental preferir ainda assim jogar de acordo com as regras da entidade sionista. Primeiramente, Israel procura há algum tempo a destruição do Hamas. Após a vitória esmagadora do partido político palestino nas eleições gerais de 2006, a comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos, por meio de pedido inicial de Israel, instaurou um cerco internacional contra Gaza, impedindo o envio de ajuda humanitária, econômica e bloqueando ações do Hamas fora do território. Israel fez sua parte em solo ao literalmente sufocar Gaza, criando o maior centro de detenção do mundo, um campo de concentração para 1,5 milhão de pessoas. Enfim, a recente invasão procura inicialmente destruir Gaza internamente, eliminar políticos palestinos, líderes religiosos, soldados da resistência e a população civil – essa última, a fim de promover uma revolta popular contra o Hamas e ensinar uma lição ao próprio povo palestino por ter “votado no partido errado”, como uma vez declarou George W. Bush. Porém, como no passado, o abuso da força militar se tornou uma arma contra Israel. Nem mesmo a corporativa mídia ocidental conseguiu esconder os crimes diários dos sionistas em Gaza, apesar da censura de Estado ter sido aplicada perfeitamente pela suposta “única democracia do Oriente Médio”. Não é nem sequer mais discutido que o abuso do poder criou a própria vulnerabilidade de Israel, e fortaleceu o Hamas aos olhos do mundo.

Outro objetivo da missão israelense, também ignorado pela maior parte do Ocidente, relaciona-se às eleições que se aproximam. Assombroso e cruel como pode parecer, a invasão reflete uma tentativa dos partidos israelenses Kadima e Trabalhista para derrotar o Likud, de Benjamin Netanyahu, que lidera as pesquisas até a metade de janeiro. Essa realidade ficou evidente a partir dos primeiros momentos dos ataques, ainda na conferência organizada por Olmert. Os dois principais concorrentes de Netanyahu são Livni e Barak, que posavam ao lado de Olmert. A intenção dos partidos israelenses é apagar a imagem de que o Kadima e o Partido Trabalhista “pegam leve com os palestinos”, como Netanyahu havia criticado. Se a estratégia política vergonhosa funcionou é difícil de afirmar, mas a decisão de procurar votos usando como ferramenta o massacre de palestinos diz muito sobre os três principais concorrentes das eleições de Israel.

Outra clara finalidade da invasão massiva de Gaza envolve a moral das Forças de Defesa de Israel. Após a humilhante derrota no Líbano para o Hizbollah em 2006, em que nenhum dos objetivos sionistas foi completado e o partido político libanês conquistou ainda mais espaço no governo do Líbano, Israel procurou opções visando restabelecer a moral perdida e desenvolver o arsenal que não trouxe vitórias. Na última primavera (setembro de 2008), o alvo escolhido para testes de laboratório foi a Síria, e atualmente o foco está voltado para Gaza. Enfatizar que em 3 minutos e 40 segundos os israelenses foram capazes de atingir mais de 50 alvos e deixar mais de 200 mortos é um dos meios que a entidade sionista usou para reconquistar um pouco de autoridade regional. Após uma série de derrotas políticas e militares contra vizinhos, Israel decidiu usar Gaza para uma nova prova de força. Com a censura de mídia, os civis palestinos se tornaram meras cobaias, completamente isolados do mundo de fora, usados como animais de teste para os mais controversos venenos.

Não é estranho que, nessa lista de objetivos da invasão, não há menção alguma sobre como cessar o lançamento de foguetes Qassam do Hamas contra os territórios ocupados por Israel? É exatamente nisso que a mídia ocidental entrou no jogo dos sionistas dessa vez. A única finalidade inverídica sobre a invasão de Gaza é exatamente a única que o governo de Israel insiste em divulgar. Trata-se de uma campanha de desinformação do público. Israel poderia ter dado um fim definitivo ao lançamento de foguetes há muito tempo. De fato, durante o período de cessar-fogo, Israel respirou em plena paz, apesar de incidentes terem eclodido como resposta ao cerco de Gaza, que não foi suspendido nem sequer por um dia durante o cessar-fogo. A mídia ocidental torna-se criminosa ao afirmar que o Hamas deu um fim ao cessar-fogo de 6 meses. Israel manteve Gaza sitiada, sem dinheiro, alimentos, remédios e, muitas vezes, sem acesso a água e energia elétrica, além de executar soldados do Hamas extra-judicialmente e assassinar figuras políticas palestinas indiscriminadamente, sem contar os bombardeios cotidianos de áreas civis. Enquanto Israel manteve seus leões nas jaulas, os israelenses respiraram em paz, sem chuvas de foguetes. Quando os soltaram, o cessar-fogo foi terminado.

Novamente, ao invés de prolongar a trégua e fortalecer as negociações de paz, Israel decidiu pela violência, brutalidade e força, uma estratégia contrária à utilizada pelo Hamas desde o acordo de cessar-fogo. Se a entidade sionista realmente se preocupasse com a vida de seu próprio povo e com o futuro da existência de Israel entre inimigos no Oriente Médio, deveria ter lidado de maneira diferente. Ao invés de mentiras, fatos; ao invés de violência, diálogo; ao invés de ódio, razão. São centenas de homens, mulheres e crianças que se tornam mártires, e o mundo inteiro que assiste esse genocídio por trás dos portões de Gaza. Isso não será esquecido.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com
Edição Especial de Gaza – http://orientemediovivo.com/pdfs/edicao_gaza.pdf


Jornal Oriente Médio Vivo – Edição Especial de Gaza

Janeiro 19, 2009

Olá a todos!

Devido aos recentes acontecimentos em Gaza, o jornal Oriente Médio Vivo sentiu-se na obrigação de abandonar a sua pausa para reorganização e publicar uma edição especial do jornal.

Está publicada a Edição Especial de Gaza do jornal Oriente Médio Vivo.

Para um link direto de download, clique no seguinte endereço:
 http://orientemediovivo.com/pdfs/edicao_gaza.pdf

Nesta nova edição, as manchetes são:

– Por trás do massacre de Gaza
– Lições de fé em Gaza
– O laboratório humano de Israel

Você pode baixar a mais nova edição, assim como todas as anteriores, no nosso website, no endereço:
 http://www.orientemediovivo.com

Aproveitando esse momento, gostaria de convidá-los para o novo Fórum de Discussão do Oriente Médio Vivo, no endereço abaixo:
 http://www.orientemediovivo.com/forum

Agradecemos desde já pelo interesse e atenção.

Para qualquer outra informação, sugestão, crítica ou comentários, não hesite em entrar em contato conosco, através do e-mail:
 contato@orientemediovivo.com

Mais uma vez, obrigado.

Cordialmente,

Humam al-Hamzah
Oriente Médio Vivo
www.orientemediovivo.com


Obama eleito: mudança ou mesmisse?

Janeiro 15, 2009

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
www.orientemediovivo.com

OBAMA ELEITO: MUDANÇA OU MESMISSE?

Eleito com folga à presidência dos Estados Unidos, a celebridade Barack Obama em breve passará a dirigir um país que administra duas guerras derrotadas, ao mesmo tempo em que luta contra uma grave crise econômica sem precedentes. Apesar das exageradas comemorações nas ruas estadunidenses, que refletem um sentimento de alívio carregado de culpa, ainda é muito incerto qual será o rumo da decadente “única superpotência”. Afinal, após meses da incansável retórica de “nós podemos mudar”, o que representa Obama no comando dos Estados Unidos: mudança ou mesmisse?

O povo estadunidense votou em massa contra a combinação letal de ganância representada pelos dois termos de George W. Bush. Mais do que um aceitamento das mudanças propostas por Barack Obama, que nunca ficaram muito claras ou se provaram possíveis, a nação votou por um sentimento comum de culpa e vergonha. Muitos preferem ignorar essa realidade, mas os mesmos eleitores que essa semana elegeram Obama colocaram George W. Bush no poder – por dois termos consecutivos. Não podemos cair na mesma ilusão de que, após uma histórica eleição, todos os corações dos Estados Unidos se transformaram. Uma utopia como essa pode se tornar destrutiva, não menos do que o exagero da apelação militar dos dois últimos termos republicanos.

Alguns afirmam que os estadunidenses votaram contra a administração mais sionista de que se tem notícia, que conscientemente a nação disse “não” às guerras sionistas e aos interesses israelenses. Declarações como essas são, no mínimo, irônicas. De que se tem conhecimento, pouquíssimos estadunidenses entendem qualquer coisa sobre o envolvimento do governo do seu país com a entidade sionista. Para ser otimista, o máximo que se pode dizer é que, frustrados com o caminho que os Estados Unidos trilharam nos últimos anos, os eleitores votaram em uma opção radical e inesperada, a fim de escapar da realidade atual. Mas será que as coisas realmente mudarão? Ao que tudo indica, Barack Obama já se uniu ao clube de interesses sionistas, e passo a passo deverá conduzir os Estados Unidos no mesmo caminho dos últimos anos.

A primeira decisão de Barack Obama como presidente eleito dos Estados Unidos foi escolher como chefe de gabinete o judeu Rahm Emanuel, deputado de Illinois na Câmara dos Representantes e profundo conhecedor do mundo político de Washington e da Casa Branca, por ter sido conselheiro pessoal de Bill Clinton. Ele era encarregado de coordenar projetos especiais da Casa Branca nesse período da história em que, no Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, 7 dos 11 nomeados eram judeus. Clinton os designou para os pontos mais sensíveis das administrações de segurança e do estrangeiro. Segundo o próprio Emanuel, “o Holocausto cria um senso de destino compartilhado por todos os judeus. Os judeus devem agir para tornar Israel forte”. A escolha não parece uma mudança muito promissora. O que acontece é que, a uma distância de milhares de quilômetros de Israel, existe um florescente centro judaico que não apenas a admira e a apóia, mas que também sente um destino compartilhado. Esse é o maior perigo para a independência dos Estados Unidos.

E é por isso que até eleger-se senador, Obama foi ativo nos movimentos em favor do povo palestino. Após ocupar a importante cadeira política, passou a pender para o lado israelense, como resultado das pressões dos lobbies judaicos e, para ser mais direto, de olho na candidatura à presidência no futuro. A partir de que Obama se tornou o candidato democrata para as eleições presidenciais, a sua exageração pró-Israel manchou a imagem de “mudança” tão prometida por ele nas fases iniciais de campanha. Ao visitar Jerusalém, a cidade sagrada das três grandes religiões monoteístas, Obama garantiu que, em seu termo como presidente, “Jerusalém permanecerá intacta”. Essa posição, dividida entre todos os presidentes estadunidenses desde a unilateral independência de Israel, nega a Lei Internacional. “Qualquer acordo com o povo palestino deve preservar a identidade de Israel como Estado judeu”, declarou Obama. Assim como qualquer outro líder estadunidense, Obama promete manter a mesma política cega que desestabiliza o Oriente Médio há gerações, protegendo indiscriminadamente Israel e opondo-se a qualquer medida que possa levar a paz à região.

Desde que Barack Obama surgiu como um sério candidato à presidência dos Estados Unidos, a importância de preservar a ordem de interesse que se encontra Israel na agenda estadunidense se tornou evidente. Passo a passo, a sua postura comprometida e coerente com relação aos direitos dos palestinos desapareceu. A sua primeira decisão como presidente, um dia após a eleição, foi anunciar um líder sionista como seu chefe de gabinete. Separando otimismo de realismo, o futuro promete mudança ou mesmisse?

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com
Edição nº120 – http://orientemediovivo.com/pdfs/edicao_120.pdf


A lógica de morte estadunidense

Janeiro 13, 2009

Por Humam al-Hamzah
Jornal Oriente Médio Vivo
http://www.orientemediovivo.com

A lógica de morte estadunidense

“A guerra no Iraque não é coberta corretamente em função do irreprimível perigo que os jornalistas têm que enfrentar”, explica Liam Madden, um veterano da desastrosa ocupação do Iraque. Segundo o oficial estadunidense, “existem muitas confusões nas cabeças das pessoas sobre a verdadeira natureza da ocupação militar”. De fato, a mídia corporativa ocidental cumpriu bem o papel dela desde a invasão ao Afeganistão, em 2001, e mais tarde ao Iraque, em 2003, em fabricar contos e omitir realidades para a escassa audiência no Ocidente. Quem sabe, então, não seja bom ouvir um pouco dos próprios veteranos que acordaram para essa realidade?

A cada dia aumenta o número de veteranos estadunidenses que retornam do Iraque e contam suas histórias. Não demorou muito para ficar claro que as brutalidades dos notórios crimes estadunidenses de Guantánamo e Abu Ghraib e da série de estupros seguidos de homicídio de toda uma família em Al-Haditha não se tratam de “acidentes isolados”, mas sim da norma da ocupação. Esse é o caráter da invasão, e quem afirma isso são os próprios militares estadunidenses que lá estiveram: “Eu me esforcei muito para me sentir orgulhoso do meu trabalho, mas só consigo sentir-me envergonhado”, disse Michael Prysner, um cabo veterano do exército estadunidense. “Contaram-nos que estávamos combatendo terroristas, mas o verdadeiro terrorista era eu mesmo, e o verdadeiro terrorismo é a ocupação do Iraque”, complementou Prysner.

De acordo com a organização “Política Exterior Justa” (Just Foreign Policy, nome original em inglês), um grupo estadunidense fundado em 2006 dedicado a “reformar a política externa dos Estados Unidos”, até às 19h de 29 de outubro de 2008, o número de iraquianos mortos desde a invasão do país em 2003 é de 1.273.378 pessoas, entre homens, mulheres e crianças. Esses dados são adquiridos a partir das únicas fontes com credibilidade sobre o verdadeiro número de mortos em função da desastrosa ocupação do Iraque – os jornais The Lancet e Opinion Research Business. O estudo do conceituado periódico médico britânico The Lancet, a única análise científica realizada sobre o número de civis mortos no Iraque desde a invasão do país, publicado ainda em 2006, conta “pelo menos 655 mil civis iraquianos mortos como resultado direto da invasão e ocupação do país”. O outro estudo com confiabilidade, mais atualizado em termos de data, foi realizado pela organização britânica Opinion Research Business, que anunciou em setembro de 2007 que “cerca de 1,2 milhão de pessoas foram mortas como resultado da guerra”. Esse mais de 1 milhão de vítimas, classificadas pela mídia ocidental como “dano colateral”, assusta se comparado com os números fabricados e fornecidos pelos militares estadunidenses. “O número verdadeiro de mortos é dez vezes maior do que as estimativas oficiais, e é baseado em estudos científicos conduzidos desde 2003”, explica o economista Mark Weisbrot, fundador do “Política Exterior Justa”.

Ironicamente, muitos ainda conseguem afirmar que os Estados Unidos foram ao Iraque para levar a “democracia e liberdade”. Acontece que, até hoje, os iraquianos viram apenas miséria. “Os soldados vão perceber que eles têm mais em comum com o povo iraquiano do que com os bilionários que lhes enviaram ao Iraque”, diz o otimista cabo Michael Prysner. Aos poucos, espera-se que a verdade ficará clara para todos. Mas o povo do Ocidente, enganado diariamente pela mídia corporativa ocidental, aliada aos interesses comerciais daqueles que vandalizam qualquer moralidade, permanecerá iludido por algum tempo, enquanto inocentes são mortos a cada dia.

FONTE:
Jornal Oriente Médio Vivo – http://www.orientemediovivo.com
Edição nº119 – http://orientemediovivo.com/pdfs/edicao_119.pdf